O QUE É UM FILME?

Isto não é um filme (this is not a film) – 2011.
Dirigido por: Jafar Panahi.
Duração: 75 minutos.

This-Is-Not-A-Film

Um filme que não é um filme, um documentário filmado em um dia, no apartamento de um cineasta iraniano que está em processo de condenação criminal, no filme não fala exatamente qual é o motivo, mas parece algum perjúrio ou ofensa contra o Irã, no Irã tem que ter o roteiro aprovado pelo governo para que se possa filmar, é um processo burocrático e de censura para o que se possa fazer um filme de forma profissional no país.

O filme inicia-se com um plano fixo do cineasta tomando café da manhã, Panahi troca de plano e fala com algumas pessoas no telefone sobre o processo que está em andamento, Panahi liga para um amigo para que vá até sua casa para ajuda-lo, todas as ligações feitas no filme são através de um telefone celular com o viva-voz ligado. Seu amigo chega para ajuda-lo com a câmera, assim as imagens terão mais movimentos porque Panahi não queria apenas uma câmera fixa num tripé, assim ele busca mais movimento para o filme que está fazendo.panahiwithiggyA impossibilidade de filmar parece ser estritamente por motivos de censura do governo, o cineasta parece ter uma boa qualidade de vida financeira, tem uma câmera profissional, computador e celular de última geração, seu apartamento é enorme, ele vive em Teerã, e por algumas ligações que ele faz parece ter um escritório ou uma produtora, parece ter muito mais dinheiro do que os cineastas do Brasil, tirando aqueles que trabalham em grandes corporações ou são filhos de banqueiros, logicamente.

Panahi demonstra ao longo do filme que resolveu fazer este “não filme” porque esta com medo de ser condenado à qualquer momento e não poder realizar mais filmes, durante a filmagem deste filme, que primeiramente seria apenas a leitura de um roteiro censurado que ele escreveu.Panahi mostra um pouco do seu processo de criação, sua visão de espaço, ele improvisa tudo no tapete da sala do seu apartamento, fazendo uma planta baixa com fitas, assim ele começa a explicar onde estará a câmera, para que lado ela irá “chutar”, os movimentos dos personagens, suas emoções e motivações, Panahi mostra a forma como ele decupa e pensa cada cena, ele faz isso com algumas páginas do roteiro e se cansa daquela situação, fica deprimido ao pensar que poderia estar filmando num cenário, com atores, numa produção cinematográfica profissional.

Em alguns momentos Panahi lembra-se de cenas de seus filmes anteriores, que ele mostra na tv da sua sala,uma das cenas é do filme ESPELHO em que uma menina de uns dez anos, quer parar de atuar e Panahi diante daquela cena com sentimentos reais decide continuar filmando aquela situação new01com a menina não querendo continuar a atuação, registrando assim um momento com sentimentos reais. Outra cena que Panahi é quando ele usa um não ator numa cena do filme OURO CARMIM, ele visivelmente começa a passar mau e Panahi usa esta cena desconfortável no corte final do filme, porque o homem que estava atuando não conseguia demonstrar a emoção que Panahi estava querendo, mais uma das cenas mostradas é do filme O CÍRCULO, onde apenas o cenário foi suficiente para conseguir causar a sensação de claustrofobia e ansiedade na atriz, para que na tela parece muito mais real para o espectador, assim conhecemos vários modos de um diretor conseguir a cena que deseja e extrair do ator e imprimir na tela aqueles sentimentos e sensações.

Durante a realização do documental, há imagens de Panahi fazendo atividades domésticas, alimentando o lagarto do filho, fazendo chá, regando plantas, falando com entregadores e moradores do prédio. Ao anoitecer é a “Quarta dos Fogos”, pelo que entendi através do filme é um dia festivo877x658 onde há queima de fogos de artifício e faz-se muito fogo pelas ruas, os eventos atraem a curiosidade de Panahi, mas ele prefere continuar assistindo do alto das janelas do seu apartamento.

Panahi resolver ousar um pouco ao usar seu celular para fazer algumas imagens, não que isso seja algo inovador, mas no contexto de ter uma câmera profissional com seu amigo e para seus filmes anteriores é algo novo. Panahi e seu amigo começam a filmar um ao outro, mostrando, talvez sem intenção pré-concebida de que não há limites técnicos para se documentar momentos e transformar em um filme, é a descoberta de um cineasta profissional, privado de ter algumas regalias de estúdios de cinema, fazendo cinema.

O amigo de Panahi tem que ir embora, Panahi o segue até a porta do elevador, filmando com seu celular. Eles encontram um rapaz que está recolhendo o lixo, Panahi começa a indagar o rapaz, que meio envergonhado responde a Panahi,eles vão descendo o elevador e parando em cada andar para que o rapaz possa recolher o lixo. O rapaz diz que está fazendo mestrado em algo relacionado à pesquisa de artes, mas que faz diversos tipos de trabalhos, como entregador, limpeza, usinas, para que possa pagar os estudos, diz que ele mesmo com o mestrado terminado, não sabe se irá conseguir trabalhar na área, porque não há empregos, nem para pessoas com graduação e mestrado, é neste momento que conhecemos um pouco da área profissional do Irã, onde não oportunidades para estudar seguimentos artísticos, mas não há espaço para exercer a profissão, talvez, seja como o nosso país, onde não há “consumo” de arte pela maioria das pessoas, que no Irã que teve e tem tantos outros problemas ainda não é uma prioridade para a população.A cena, que é um plano-sequência termina com Panahi no estacionamento do prédio, parado, enquanto o rapaz leva o lixo para fora em meio aos fogos e ao fogo, Panahi, no escuro pNot-a-filmarado, preso entre as grades do prédio onde vive, enquanto o rapaz vai para a ação, onde as coisas estão acontecendo naquela noite em Teerã.

“ISTO NÃO É UM FILME” é um filme documental despretensioso, de um cineasta, impedido de fazer filmes que aos poucos encontra uma maneira de desenvolver o que ele chama de não filme. Neste filme que acredito ser um ótimo filme para aqueles que realizam, querem realizar ou até mesmo tem curiosidades em saber como é o processo criativo da realização de um filme, Panahi acaba descobrindo novas formas de se fazer um filme, que ele não precisa ficar preso ao modos convencionais para fazer um filme, que dentro de um prédio ele pode construir e contar ótimas histórias. O interessante no filme é que ele não fica somente na metalinguagem quando ele resolve sair do apartamento e pegar a história do estudante que está trabalhando no prédio.

CURIOSIDADES:
– Panahi apoiou um candidato oposicionista ao governo, foi acusado e está em prisão domiciliar e terá que cumprir 06 anos.
– O filme foi enviado ilegalmente para a França dentro de um pen drive, lá um produtor o envio para festivais.

Trailer:

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