Amor à arte de fazer cinema

Rebobine, por favor (Be kind, rewind).

Dirigido por: Michel Gondry.

Duração: 102 minutos.

Voltando ao blog, depois de um tempo sem escrever, resolvi voltar com este filme, recém assistido, conheci o Grondy do famoso “brilho eterno de uma mente sem lembranças”, demorei bastante para assistir este filme, ele é de 2008, ele é uma declaração de amor a arte de fazer cinema, tão pouca valorizada em nosso pais, por diversos motivos, que não vou discutir aqui.

Rebobine, por favor começa com imagens de um documentário sobre um jazzista que teria vivido em outro local do estado de nova Iorque, Fats Waller e atualmente é uma locadora que ainda resiste com as fitas de VHS, seu dono, Mr. Fletcher, está para perder o imóvel porque está muito velho e querem transformar o local em um prédio moderno. O filho adotado de Mr. Fletcher, Michael trabalha na locadora e tem um louco amigo Jerry, que ao tentar sabotar uma estação de eletricidade tem um surpresa e acaba magnetizado e quando ele entra na locadora e apagando tudo que havia nas fitas, que está em responsabilidade de Michael, depois que Mr. Fletcher foi viajar. Sem nada nas fitas os poucos clientes da locadora começam a reclamar, eles então tem a “brilhante” idéia de gravarem os filmes novamente com uma câmera e muitas idéias para fazer remakes dos filmes.

A primeira experiência é com o filme Ghost busters, os caçadores de fantasmas, depois eles gravam A hora do Rush, Robocop, Conduzindo Miss Daisy (um dos únicos filmes que eles gravam que eu não vi) e até mesmo a animação O Rei Leão uma versão de Ali, só que com um Ali branco. Eles usam de toda uma criatividade para fazerem as cenas, eles sintetizam a estória dos filmes criando um filme curto e numa jogada de marketing, eles dizem que os filmes são “suecados”, uma forma diferente de chamar os remakes toscos que eles fazem.

Eles começam a fazer um sucesso gigantesco, então eles começam a filmar muitos filmes, até que em um dia chega uma advogada representando Hollywood e cobrando todos os direitos dos filmes, decepcionados com tudo aquilo, eles tem que se entregar ao sistema de Hollywood e a especulação imobiliária, mas um último filme será feito, o primeiro não-remake, um filme sobre o jazzista Fats Waller.

O momento que eles começam a produzir seus próprios filmes, mesmo que remakes é muito interessante, porque lembra bastante o cinema feito no Brasil, não que eles copiem as estória, mas temos exemplos, como o Rambú da Amazônia, que faz uma versão brasileira do Rambo e é uma forma de fazer cinema, e realmente há um público para isso e também é um incentivo para as pessoas que querem fazer cinema, pegar suas câmeras, seja elas quais forem, de câmera fotográfica, de celular, miniDV, VHS antiga e fazerem seus filmes. Aqui eles nem precisam editar, filmam tudo em seqüência e com erros mesmo, mostrando que não é necessário uma super produção para contar uma boa estória.

Este filme fala do sonho de ser artista, de poder fazer arte, que quando se tem vontade pode fazer, mesmo que alguns momentos, os atores tenham crises de “estrelismo” o diretor tenha uma crise existencial, a falta de dinheiro, os problemas de enfrentar as grandes corporações, produtoras e estúdios, a vontade de fazer é o que há de mais importante, juntar pessoas que tenham os mesmos interesses que os seus e que acreditem no cinema como você acredita, é um passo gigantesco para que um filme possa acontecer, seja ele um remake em forma de curta de um longa famoso, seja ele um documentário ou até mesmo algo experimental e autoral que você queira realizar, nenhum filme é impossível de ser realizado.

Creio que o filme critica o modo com Hollywood tenta sempre sufocar os pequenos produtores, seja, no filme com os direitos autorais, seja comprando os direitos de outros filmes para fazerem os seus próprios remakes, o que anda acontecendo muito com filmes estrangeiros, Hollywood quer tudo para eles e que seja feito por eles. Mas poderia montar locadoras com filmes independentes e underground somente, feitos no Brasil, seria uma boa idéia, tem público e este público pode aumentar, mas provavelmente não atingiria o mesmo tanto de pessoas que outros filmes com muito mais publicidade. Enfim, a comercialização de filmes que já são rotulados como não-comerciais é muito complicada.

Rebobine, por favor é um filme muito bem feito, com uma criatividade gigantesca tanto do roteiro maior, como para os pequenos remakes que são produzidos durante o filme, gosto bastante das soluções para uma produção mais barata que eles mostram durante todo o filme, o jeito como a criatividade age em favor do cinema. É um filme que desperta o sonho de se realizar um filme, que mostra que um filme, seja ele do modo que seja feito pode fazer o espectador rir, chorar, mesmo que aqui só tenham filmes que lembram mais a minha infância, talvez Gondry tenha tido os mesmo filmes na sua infância, já que eu só assistia filmes na sessão da tarde, que deveriam passar anos depois que ele viu no cinema dos EUA. São filmes de aventura, ação que nos deixam excitados com o filme, os filmes são muito mais importantes do que as novelas, que contam sempre as mesmas estórias hoje em dia, os filmes ficam marcados para sempre em nossas memórias, fazem com que tenhamos experiências que podem ser usadas para o resto de nossas vidas.

Um ponto importante também é que o cinema é uma ficção, o que é mostrado no filme em diversos momentos e diálogos, quando eles dizem que a senhora nunca tinha assistido uma ficção-científica e ela não sabia que aquilo não era um filme inteiro, que tudo o que eles estavam fazendo era de certa forma um filme que não era o filme, era uma copia de outro filme, que não deixa de ser uma copia da realidade, uma outra visão sobre uma estória, por mais que ela seja baseada em fatos reais é uma outra visão de ver estórias, por mais original que ela seja.

Gondry realizou um filme sobre o amor que as pessoas tem que ter para poder realizar um filme, mesmo que a realidade no estados unidos seja infinitamente diferente do que a dos brasileiros, vejo muita similaridade nos sentimentos daqueles que fazem muito para realizar e não deixam de realizar apesar de todos os problemas que precisam enfrentar para isso, um filme perfeito para se emocionar e rir, para aqueles que realizam ou desejam realizar, para aqueles que gostam de um bom filme, também para os nostálgicos que gostavam de filmes da década de 80 e 90, para os novos que queiram saber como podem ser feitos filmes, um filme sensacional.

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