GLÓRIA AO CINEASTA

Glória ao cineasta (Glory of the filmmaker)

Dirigido por: Takeshi Kitano

Duração: 107 minutos

Takeshi Kitano é um cineasta japonês que fez diversos filmes de gangsters. Ele resolve fazer um filme que deixa de lado tudo o que vinha fazendo até agora, já não vê mais sentido em mostrar tanta violência em seus filmes,  no inicio, uma voz em off, vai narrando toda a situação pela qual vem passando o próprio diretor no filme. Um filme metalingüístico sobre a “crise” de um criador do cinema.

O filme começa com um boneco fazendo exames de saúde, o boneco, que é igual ao próprio Kitano, faz tomografia, responde perguntas do medico, depois de tudo pronto, Kitano e seu alter-ego de plástico, saem caminhando pela cidade. Depois desta pequena introdução, cenas de filmes que Kitano pensou em fazer ou tentou fazer, lembra o curta nacional “os filmes que eu não fiz”.

            Em tom cômico, Kitano tenta fazer um filme japonês da década de 50, um drama de classe-média, no estilo de Yasujiro Ozu, porém, não dá muito certo, ele diz que ou mostra-se a pobreza ou estranhas situações de classe alta, para um filme dar certo. Ele parte para outros tipos de filmes, tenta fazer um filme de samurai, daqueles que voam, com lutas de espadas, também não dá certo,  tenta fazer um filme de romance, onde não se desenrola a estória e ainda um filme de terror, que pode dar certo, já que está na moda, e Hollywood vive fazendo remakes, também não dá certo, também há uma estória de sua infância, onde um jovem pobre só apanha de uns amigos na rua e tenta se vingar, também não funciona. Todos estes filmes são muito bem feitos, apesar de não ter dado certo, tem bastante produção e até empolgam, mas Kitano sempre encontra um motivo para que eles não funcionem.

A última tentativa de Kitano é uma ficção-científica, quando você pensa que durante todo o longa serão vários filmes curtos de Kitano tentar fazer um longa, a estória de duas mulheres, mãe e filha aparentemente, querem ganhar a vida facilmente, uma bela cena são elas tentando não pagar a comida em um pequeno restaurante, colocando uma barata no macarrão, no entanto, uma pessoa antes delas encontra uma barata na comida e vai reclamar, o dono do lugar e o cozinheiro começa a bater nos fortões dentro e fora do restaurante, o restaurante chama-se, algo como: “macarrão com baratas”.

As duas mulheres continuam tentando dar um golpe em alguém, tentam ser atropeladas por um carro para pegar um dinheiro, mas acabam sendo atropelados por um caminhão de entregas e correm atrás de um carro conversível onde podem conseguir que o filho de um milionário case com a mais nova. Elas tentam encontrar o garoto, que é um “retardado”, conseguem um encontro, mas o rapaz acaba indo para a Torre Eifel em Paris para o encontro não para o restaurante japonês Torre Eifel onde elas combinaram o encontro.

A moça acaba casando com um dos empregados do milionário que tem uma pequena casa numa área rural e não agüentando a pobreza, fogem e tentam voltar para a cidade. O empregado é Kitano que em alguns momentos é ele mesmo em outras é seu boneco.

            Glória ao cineasta é um filme muito divertido, principalmente para quem conhece bastante os filmes japoneses de todos os estilos, porque na verdade Glória ao cineasta tem uma piada atrás da outra sobre estes filmes. Os personagens são os mais interessantes, principalmente da estória principal, as duas mulheres, Kitano e seu boneco-Kitano, são personagens bizarros que agem de maneira estranha, ao mesmo tempo que encontramos boas narrativas. Gosto da parte que vira uma “porra-louquice” tremenda, os personagens mudam, ora Kitano é real ora boneco, tem uma cena de briga, que quando ele sempre vai apanhar, ele vira o boneco e os agressores, batem num plástico duro, tem também a grande influência de mangás, os personagens correm bem rápido, fazem expressões típicas das animações japonesas, sempre com muito humor.

Este é um filme para rir, ver os absurdos que são feitos com o cinema de uma forma engraçada, pode até lembrar os “besteiróis” americanos, como a parodia “todo mundo em pânico” e “Espartalhões” por exemplo, só que Kitano leva isso alem ao misturar a crise criativa de um artista, no caso ele mesmo, com os diversos estilos de filmes que são feitos no Japão e que acabaram ganhando bastante destaque aqui no ocidente desde Godzilla, passando por filmes de época, no caso do Ozu, filmes de Samurai, Gangesters, até chegar nos filmes de horror e mangá. Não vi outro filme do Kitano, não que me lembre, mas este é muito bom, e este filme é parte integrante de uma trilogia que começou com o filme: Takeshis e se encerrou em 2008 com Aquiles e a tartaruga, espero ver outros filmes do Kitano em breve, um cineasta inventivo no poder da linguagem cinematográfica, mesmo não fazendo nada de novo, um Tarantino do oriente com humor.

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