FAHRENHEIT 451

Fahrenheit 451 (Idem).

Direção: François Truffaut.

Duração: 110 minutos.

Nunca assisti muitos filmes do Truffaut, na verdade me lembro de ter assistido apenas Os incompreendidos e  Domicile Conjugal, nem sei o nome em português. Este filme eu já deveria ter assistido faz algum tempo, muitas pessoas já haviam me indicado há anos atrás e também já tinha lido bastante a respeito, mas por motivos diversos, alguns filmes essenciais vão ficando para trás. Sem mais enrolação, Fahrenheit 451, que não tem nada a ver com Fahrenheit 11/9 , é um filme baseado no livro homônimo do escritor Ray Bradbury, que já teve algumas obras adaptadas para o cinema e tv.

Fahrenjeit 451 se passa no futuro, é uma ficção científica, onde não se pode mais ler, porque a leitura de livros pode causar a tristeza, sem a informação as pessoas podem ser mais felizes, somente a apatia e aceitação dos modos de vida é que podem trazer a felicidade, ler sobre estória, romances, podem deixar a pessoa perturbada, segundo o governo do momento.

Nenhuma pessoa pode ler, quando alguma pessoa é denunciada, os bombeiros vão até a casa da pessoa e recolhem todos os livros possíveis e começam a colocar fogo. Aqui os bombeiros não apagam fogo, eles trabalham como investigadores e queimadores de livros. Montag, um dos bombeiros mais experiente e dedicado, começa a se sentir estranho com tudo aquilo que ele faz, depois de conhecer uma moça em seu bairro, ela quer ser professora e ele apenas vive sua vida normal, com sua esposa em uma boa casa na periferia da cidade onde trabalha. Em mais um dia de trabalho, Montag não resiste e esconde um livro e o leva para casa.

Depois de ler o primeiro livro, Montag não para mais, cada vez mais ele quer ler outro e outro, passa as noites em claro lendo, enquanto sua esposa dorme, começa a se desinteressar pelo trabalho e procura cada vez mais a leitura e um modo alternativo para poder viver. Quando Montag descobre que a casa da sua amiga do metrô será a próxima casa a ser invadida, ele tenta de tudo para que não aconteça, mas é tarde, a vizinha desconfia da casa dela, porque eles não tem antena de tv na casa, felizmente para Montag a moça consegue fugir, somente seu tio é preso e fica na casa.

Uma hora seria a casa de Montag, depois que sua esposa descobre sobre os livros a situação em sua casa fica mais complicada, a esposa quer que ele se livre dos livros, mas ele não quer isso, então eles começam  a ter brigas constantes e Montag, agora com conhecimento, começa a questionar cada vez mais este sistema em que vivem, até o momento em que ele tem que escolher entre a sua vida atual e uma nova vida, porque a sociedade já não o aceita mais, é então que ele tem que fugir, a televisão mostra que ele foi capturado, porém, ele escapa e vai parar em um campo de refugiados, de pessoas que decoram os livros, cada pessoa tem que decorar um livro, o nome de cada pessoa é o titulo de um livro, no futuro cada pessoa terá que reescrever o livro que decorou para que estes não fiquem perdidos para sempre.

            Este filme aborda assuntos muito interessantes, a questão do conhecimento é o assunto central, porque o conhecimento no mesmo tempo que não pode ser negado as pessoas, na sociedade em que vivemos, também trazem problemas para a sociedade, principalmente para os governantes, que se vem pressionados, quando uma sociedade tem a capacidade de pensar e também de protestar, seria ideal para os governantes se houvesse uma sociedade onde ninguém buscasse o conhecimento e apenas aceitasse que a vida era boa do jeito que eles impõe. Tem o outro lado também da satisfação pessoal de cada ser humano, um ser humano, alienado e apático, costuma ser mais feliz, porque não pensa nos problemas e/ou quando pensa, apenas o aceita, não sabe como agir diante deles. Os livros de romance podem trazer algumas idéias para as pessoas, mesmo que na maioria dos casos, o que acontece na ficção, de alguma ou outra forma aconteceu na realidade, mas para aqueles que vivem vidas “apequenadas” pelo trabalho e televisão, acabam não tendo muito conhecimento das coisas. A curiosidade no ser humano também é algo que o filme aborda, Montag poderia ter vivido até a morte sem ter lido um livro, mas sua curiosidade fez com que ele lê-se o primeiro, assim, desencadeando um certo vicio pela leitura. O papel dos bombeiros como destruidores de livros é interessante, para nós, o papel deles estaria invertido, mas para a sociedade que o filme mostra, eles continuam sendo heróis, mesmo na cena onde eles queimam uma casa com uma senhora que se recusava a sair.

Alem do enredo maravilhoso, é um filme muito bem filmado, tem enquadramentos maravilhosos, uma bela fotografia, este é o primeiro filme colorido do Truffaut, sempre mostrando partes interessantes, ele consegue fazer um filme de ficção sem muitos recursos, duas coisas são as mais importantes para que seja caracterizado com o futuro, televisões grandes e interativas e também o metrô, que anda elevado e tem uma escada, que sai do vagão direto para o chão. Uma obra-prima da Nouvelle-Vague, nem tão revolucionário como os filmes do Godard, na questão de estética, mas igualmente empolgante na questão cinematográfica.

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