BEYOND

Beyond (Svinalangorna).

Dirigido por: Pernilla Augusta.

Duração: 94 minutos.

Beyond digo logo de cara que é o melhor filme que vi na mostra este ano, insuperavelmente, talvez por me identificar bastante com a estória do filme e por ser um filme com uma estória muito tensa, pesada e muito bem filmada. Inclusive ganhou o prémio especial do júri de melhor filme e também de melhor atriz. Escolhi o filme ao acaso e dei muita sorte.

Uma mulher, Leena vive tranquilamente com seu marido e duas filhas até o dia em que recebe uma ligação de um hospital dizendo que sua mãe está nos últimos dias. Ele sente bastante o impacto da notícia e começa a reviver tristes lembranças do passado. Leena sai e vai até um clube de natação, na piscina nada até a exaustão, na piscina há uma bela cena, muito bem enquadrada e fotografada, que faz você suspirar pela beleza.

Leena vai com a família até a cidade onde a mãe está internada, ela jamais havia falado que a mãe estava viva e que as filhas tinham uma avó. A avó realmente está nos últimos dias, ela não consegue falar direito e mexe-se com dificuldade. Eles vão embora e acabam ficando na casa onde Leena está, só que ela não se sente bem de estar naquele ambiente novamente, lhe traz as piores lembranças.

As lembranças são feitas em flashbacks, que mostram uma pequena Leena tendo que cuidar do irmão porque o pai se torna um alcoólatra que vive batendo em sua mãe e a mãe acaba caindo no alcoolismo também. Ficam os pais de Leena bebendo e ela tendo que cuidar do irmão e ainda estudar e treinar natação que é um dos seus maiores talentos e o que ela gosta bastante de fazer.

O relacionamento dos pais de Leena começa a se tornar cada dia mais violento, eles vivem bêbados e alem de agredirem um ao outro, começam a bater também nas crianças. Os flashbacks vão se alternando com o momento de Leena extremamente sensível, tendo que lidar com a morte da mãe e com as péssimas lembranças do passado. O filme mostra que as feridas do passado não podem ficar abertas e as esquecermos, temos que curá-las, porque um dia elas voltariam a arder e infeccionadas doeriam muito mais.

O perdão é um dos pontos que toca o filme, porque mesmo que o pai de Leena tenha sempre batido em sua mãe, ela ainda o perdoa pelos seus atos, questiona o poder do amor, até onde ele pode ser maior do que situações que nos prejudiquem ou talvez a hora da morte faça com que perdoemos, para que tenhamos um lugar garantido no céu, são questionamentos que apos a projeção.

A atuação dos atores junto com a estréia na direção de longa de Pernilla August, são um dos pontos altos do filme, a todo momento entramos e acreditamos que aquilo é uma estória real, são atuações muito convincentes, por parte de todos os atores, desde a Leena criança e da adulta, passando pela mãe e pai de Leena quando jovem, percebemos tanto nas situações de felicidade, que são raras, como nas situações de extrema violência que parecem que estão acontecendo com agente, quem já viveu situações de violência domestica pode apreciar mais estas atuações, pela sensibilidade que foi tirada dos atores durante as cenas do filme.

Os enquadramentos e a velocidade da câmera é um artifício usado muito bem, para dar mais angustia nas cenas de violência, a câmera se mexe mais, treme, troca de quadro até a calmaria pós-violência que a câmera fica em um enquadramento não convencional, parada, calma, esperando que alguma coisa aconteça novamente, até o próximo tormento.

Gostei muito deste filme, principalmente pela violência do filme, mostrando que existem problemas dentro de casa que muitos acabamos nem conhecendo, mesmo que alguns vizinhos escutassem as vezes. E são problemas que marcam a vida de uma criança, que a infância é uma parte importante da vida do ser humano, que ele não pode ter grandes traumas, porque isso irá influenciar para o resto da vida e não são todas as pessoas que conseguem superar estes problemas. O modo como é filmado é maravilhoso,  sempre com a luz natural ou luz artificial muito bem utilizada, o filme parece muito um reality show de uma família com problemas domésticos.

É um filme para ver e ficar pensando, analisando o que o ser humano é e pode ser, até onde podemos ir, até onde pode ir o amor, se podemos perdoar qualquer coisa, como deixar o passado de lado e continuar vivendo. É um filme fantástico.

 

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