TROPA DE ELITE 2

Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro

Dirigido por: José Padilha

Duração: 115 minutos.

Lembro que caiu em minhas mãos uma copia do primeiro tropa de elite, aquela mesma, que as pessoas viram antes de estrear nos cinemas, lembro que só fui assistir o filme depois de um tempo, ficou meio jogado, não estava empolgado para ver. Depois de assistir pela primeira vez, não gostei muito do filme, achei um filme interessante, mas aquela visão da policia do rio, principalmente do Bope, achei um pouco pretensiosa e com um certo teor de fascismo, depois de ver pela segunda vez, vi algumas coisas que achei mais interessante no filme e julguei um bom filme.

Então, pego uma terça-feira em São Paulo e decido ver a continuação do filme, depois de badalada primeira semana de estréia e batendo recordes de bilheteria desde a retomada do cinema nacional, que se iniciou com Cidade de Deus, filme que certamente influenciou o modo como José Padilha filmou esta seqüência. Munido da minha pipoca e refrigerante, como qualquer bom brasileiro que vai ao cinema influenciado pela cultura americana e aproveito e sento na segunda fileira como bom cinéfilo Cult. Vamos ao filme. Quem ainda não viu o filme, leia este texto depois.

O segundo filme Tropa de Elite, acredito que vire uma trilogia, é um filme muito bom comparado com o primeiro, primeiro por tratar de um assunto muito interessante, a corrupção do ser humano. Aqui, neste filme, vemos uma interessante visão de um policial de uma força especial que tem a oportunidade de chegar até o comando verdadeiro da segurança, a secretária de segurança do estado, no caso, do Rio de Janeiro.

O capitão nascimento, que já não é mais capitão, é expulso do comando do Bope após uma violenta matança em uma rebelião em Bangu I. Ele é transferido então para a secretária de segurança do estado, como sub-secretário, ali, acha que pode melhorar as coisas, através das burocracias. Agora ele vive sozinho, separado da esposa que está casada com um dos seus principais inimigos, um professor defensor dos direitos humanos que alem de criticá-lo, casou-se com sua ex-esposa.

A relação do cap. Nascimento com o filho, não é dos melhores, o filho vive em um ambiente, político de esquerda e vê na televisão notícias sobre a violência do pai a todo instante. O filho também luta judô como o pai, uma forma de machismo que a maioria dos homens precisam para se diferenciarem das mulheres e se sentirem superiores, uma forma primitiva de vivência, o poder através da força.

Os traficantes aos poucos vão acabando com a intensificação das atividades do Bope o que contribuiu para que os policiais corruptos assumissem as atividades da favela, eles perceberam que vender drogas, criava bandidos, violência e até pequenas guerras. Resolveram criar as milícias, forma de governo, uma espécie de ditadura, comandada por policiais à paisana que cobram porcentagens de todo tipo de comércio na favela, desde um botijão de gás, até o transporte de pessoas, quem não paga, acaba morto. Estes policiais tem apoio de políticos e candidatos a
cargos públicos, que fazem festas, sempre com churrasco, mulheres, cerveja e samba, o pão e circo das favelas cariocas.

Políticos corruptos permeiam a estória, o mais caricato e engraçado é um apresentador/comentarista no estilo do Datena, que sempre diz estar lutando pelos interesses do povo em seu programa. Ele faz parte da mídia que manipula as informações para que as pessoas, pensem que os políticos aliados da imprensa, pareçam as melhores pessoas do mundo.

Os direitos humanos é um assunto que sempre causa polêmica na sociedade, alguns defendem a vida acima de tudo e outros acreditam na ação, olho por olho, dente por dente. Aqui o defensor dos direitos humanos é um professor, que se torna deputado, que é o atual marido da ex-esposa do capitão nascimento.

Tropa de elite 2 trata de corrupção, como o ser humano se vende pelo dinheiro e como os políticos manipulam os eleitores, através da imprensa, marketing e da publicidade.

Quando acabou o filme, fiquei extasiado, achei o filme muito bom, toda a estética com a qual o filme foi feito, com ação, usando um herói e a frase de início dizendo que é um filme de ficção, vão preparando o espectador para ver um filme do Batman, só que com a situação do Rio de Janeiro.

Usam da criação que temos desde a infância de que os bandidos são ruins e que devemos gostar dos super heróis, para simpatizarmos com o Capitão nascimento, que não é um super herói, como diz uma capa da revista Veja, ele poderia ser um anti-herói, quem não lembra dos assassinatos do primeiro filme, ele chega a matar até uma criança e diz “essa vai para a conta do papa”, gostamos dele, porque não gostamos dos bandidos, e os traficantes e a milícia nos é transmitida com sendo os bandidos e com o tom de realidade, não torcemos para os bandidos, como nos  filmes de super heróis. Agora no poder, achando que pode mudar algo, alienado, como a maioria esmagadora dos militares, se torna apenas mais um instrumento do sistema, sistema esse que ele quer destruir. Acaba abalando o sistema junto com o professor que se torna deputado, os dois se juntam para tentar destruir o sistema. No segundo filme querem mudar a imagem do Bope, querem transformá-los em heróis, assim como os EUA querem fazer com seus soldados no Iraque.

Saí do cinema pensando que o filme tinha um tom anarquista, porque ele preza pela destruição do sistema, porém, é uma destruição pelo sistema por um militar, o capitão nascimento, logo, chego a conclusão que o filme incentiva o golpe militar. Em termos técnicos é um filme praticamente perfeito, me lembra o filme do Rambo, porque criaram um herói para aumentar a auto-estima do povo dos EUA, cabe aos brasileiros também terem um filme assim, com um herói que mostra que não estamos abandonados, que não precisamos nos preocupar, porque uma hora, alguém vai nos ajudar com nossos problemas, seria um filme realmente revolucionário, se alem dos intelectuais, como o professor, tomassem o partido do povo e das minorias, como o próprio povo começasse uma revolução, aí sim teríamos algo realmente revolucionário. Não é tão simples ter uma conclusão destas, principalmente numa cidade onde elegem um deputado comediante, que sequer sabia o que fazia o cargo para o qual estaria se elegendo. Assista, mas tome cuidado, é um filme de ficção com tendências a manipular o pensamento político das pessoas. Ainda mais num pais onde aparecem tantas notícias sobre corrupção na classe política, quem é contra os políticos é herói.

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