SANTA SANGRE

Santa Sangre (Idem).

Dirigido por: Alejandro Jodorowsky.

Duração: 123 minutos.


Santa Sangre é o penúltimo filme do cineasta, dramaturgo, escritor, poeta e psicomago Alejandro Jodorowsky, sempre que Jodo, caminha pala área do cinema, ele tem grande êxito, com filmes que trabalham com a fantasia, a violência e muito, mais muitos signos e enigmas.

O enredo de Santa Sangre gira em torno de um circo, um hospício e uma religião nova, totalmente fora do comum. Com personagens que são exagerados, ou são muito deprimidos, muito alegres, muito violentos.

Fênix depois da morte do pai e da mãe começa a ter alucinações e vive num hospício, quando jovem ele era o mágico no circo do pai e acabou se apaixonando por uma jovem, surda e muda chamada Alma, que foram separados depois que o circo fecha. Fênix fica internado em uma casa onde há apenas pessoas com síndrome de Down, lá ele vive, como se fosse um animal, em seu cômodo há uma árvore, um cesto e uma corda apenas, seu cabelo e barba compridos, lembrar a imagem de Jesus e novamente um personagem é interpretado por um filho de Jodorowsky.

A mãe de Fênix trabalha no circo também, Concha era a malabarista e também fundou uma religião pagã, onde a santa era uma mulher que teve os braços cortados. A “igreja” tinha um piscina de sangue onde, diziam ser o sangue que a santa derramou e que agora era usado para milagres. Depois de descobrir que seu marido, o Ogro e dono do circo estava tendo um caso com a mulher tatuada, ela se vinga do marido de raivoso, arranca o braço dela, deixando ela, como a santa que tanto idolatrava.

Uma das personagens importantes do filme é a mulher tatuada, que lembra um pouco a mulher melancia, ela tem um corpo avantajado e uma grande bunda, com a qual, costuma seduzir os homens, depois que o circo fecha ela começa a trabalhar como prostituta e leva junto Alma, a menina dos olhos de Fênix. Depois da mulher tatuada oferecer Alma para o cliente, Alma foge e passa uma noite fora, volta e encontra a mulher tatuada morta.

Há ainda um anão muito interessante que parece ser um braço esquerdo do Fênix, como um servo fiel. Uma espécie de Bruno, se formos pensar no Zé do Caixão. Tem alguns outros tipos que são mais como elenco de apoio do que personagens bem trabalhados.

As alucinações de Fênix são totalmente convincentes no filme, ele substitui o braço de sua mãe, cometendo crimes contra aqueles que fizeram mal para ela e para o próprio Fênix. Até o momento que Fênix não consegue mais cometer os crimes e luta contra a sua própria mãe para se libertar destas alucinações e de seu trauma do passado, o filme trata bem isso, que um trauma na infância pode influenciar muito no desenvolvimento do adulto que a pessoa pode se tornar e que as coisas que acontecem quando está se conhecendo o mundo, fazem parte do seu eu para sempre. Uma das formas interessantes que o Jodo trabalha através dos seus filmes é partindo de um assunto simples, ele consegue criar situações absurdas, transformando a estória contada atraente esteticamente e você procurando cada vez mais entender os pequenos detalhes para ajudar a entender o que realmente Jodo quer passar com o filme.

Jodo sempre trabalha com cenas grandiosas e também com o surreal em seus filmes, este continua a “doideira” de filmes como El topo e A montanha sagrada, mesmo estando abaixo destes filmes, acho que Santa Sangre é muito acima da média de diversos filmes que vejo. Gosto bastante das cenas do “hospício” onde há pessoas com síndrome de Down e também as cenas finais no porão/casa de Fênix. O exagero das cores vermelha e verde, tem um sentido muito interessante no começo do filme, remetendo à paixão e também a agressividade, sem deixar de lado que depois pode vir uma calmaria e uma reconciliação.

Santa Sangre foi produzido pelo pai de Dario Argento, Claudio Argento, tem bastante semelhanças em questão de fotografia e estória, mas com o toque de genial de Jodo. Este é um filme que deixaria um pesquisador de semiótica muito contente, por conter diversas linguagens de signos durante o filme, tanto na questão da estética usado pelo Jodo, como pelas cores da bela fotografia deste filme.  Quem ainda não conhece Jodorowsky e seus filmes, está perdendo um dos mais importantes e empolgantes filmes já feitos e aos que conhecem os clássicos El topo e A montanha sagrada, vale muito ver este outro filme do mestre Jodo.

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