MIFUNE

Mifune (Mifune)

Dirigido por: Søren Kragh-Jacobsen

Duração: 98 minutos.

Fui até a cinemateca brasileira, confesso que é a primeira vez que vou até lá, quase uma vergonha, eu que gosto tanto de cinema não ter visitado ainda o local. Fui ver o filme Mifune que participa da mostra Dogma 95 – quinze anos depois. Mifune é o terceiro filme a receber o selo do movimento Dogma 95.

Mifune tem uma estória que não foge muito de roteiros tradicionais, com conflitos que vão aumentando o drama vivido pelos personagens; com um casamento, morte dos pais, rapaz do interior que esqueceu suas origens, irmão louco e prostituta que sustenta o irmão rebelde. Só que entre as estórias há detalhes, diálogos e enquadramentos que embelezam o filme.

Kresten é um caipira que foi para cidade, arrumou um bom emprego e acabou casando com a filha do dono da empresa. Resolveu não contar sobre a sua vida no campo, talvez por vergonha, talvez porque não gostava do seu pai.

Rud é um personagem fantástico no filme, ele é rotulado como louco, porque ele acredita em extra-terrestres e não tem um comportamento muito sociável. Rud chama Liva de Linda, porque ela é igual a um personagem de um dos seus quadrinhos, ele acredita que ela também conhece os alienígenas. Ele gosta quando seu irmão Kresten imita um samurai chamado Mifune que brinca com ele.

Liva é uma prostituta e parece estar fugindo de alguém. Resolve aceitar o trabalho na fazenda para ficar em um local tranquilo e onde possa se esconder durante um tempo, depois pretende voltar para a cidade. Bjarke é um jovem que tem problemas com a escola, no filme dizem que ele é irmão de Liva, mas eles parecem ter um relacionamento de mãe e filho. Bjarke acaba indo morar com Liva na fazenda.

O relacionamento de Kresten e Liva começa a tomar forma. Mesmo com o passado impedindo racionalmente que eles tenham um romance sério, a situação que eles vivem recentemente parece dar uma força para que eles se entreguem ao sentimento que eles tem um pelo outro.

Depois de tudo que passaram em suas vidas, uma pequena família começa a se formar, com o neurótico Kresten, o louco Rud, a prostituta Liva e o jovem rebelde Bjarke. Mas é uma família feliz, eles se dão bem e mesmo com suas diferenças e brigas, também conseguem se divertir e passar bons momentos juntos. Foge da tradicionalidade da família perfeita idealizada principalmente pelo modelo capitalista e católico que imperam no ocidente e na maioria dos filmes que são lançados internacionalmente.

A fotografia que é feita com luz natural e luzes que se encontram no ambiente, como lâmpadas no teto e abajures, dão um tom amarelado ao filme, principalmente nas cenas noturnas que acabam ficando muito bonitas. As externas são sempre cheias de muito mato, verde, em tons de marrom, mostrando até o desleixo que está a fazenda, o que, de certa forma, Kresten e companhia estão tentando arrumar.

As piadas que acontecem durante o filme são muito boas, nada inovador, algumas até parecem piadas de comédias românticas de Hollywood, mas que não deixam de ser engraçadas por isso. Dizem que Mifune é um filme que pega um pouco mais leve porque tanto o Festa de Família como Os Idiotas são filmes que chocam bastante as pessoas por suas estórias e cenas fortes. Mifune tem uma ou outra cena um pouco mais forte, talvez uma cena de sexo ou um espancamento, mas nada muito explícito.

Mifune é um filme que vale a pena ser visto não apenas por causa do rótulo do Dogma 95, mas pelo filme no geral, um filme agradável, com um belo enredo, bem filmado e com atuações muito boas.


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