GHOST DOG

Ghost Dog – O caminho do samurai (Ghost Dog – the way of samurai).

Dirigido por: Jim Jamursch..

Duração: 117 minutos.

Os filmes do Jim Jamursch são sempre uma surpresa, a cada vez que posso ver um filme dele, vejo, principalmente quando tenho a oportunidade de vê-lo no cinema, passou esta semana no cineclube do belas artes. Esta resenha vou fazer um pouco diferente do que costumo fazer, verei se vai funcionar.

Ghost Dog é o “nome de guerra” de um matador de aluguel que vive em um telhado de um prédio, junto a uma criação de pombos, que ele usa como forma de correspondência com o seu Amo, Ghost Dog é um samurai um tanto quanto diferente, ele é ocidental, negro e gosta de rap.

Ghost Dog segue sua filosofia de vida através de um livro de ensinamentos de samurai, durante o filme, conforme as cenas vão acontecendo, trechos do livro, antecendem ou sucedem, o assunto das cenas. Conforme Ghost Dog vai cumprindo suas missões, dadas por seu Amo, que é um mafioso que faz parte de uma gangue de mafiosos em alguma cidade Americana.

A máfia no filme é tratada de uma forma caricata, os vários integrantes da máfia, os chefões são os que mais aparecem, tem manias um tanto quanto estranhas, um deles gosta de rap, diz que o Public Enemy é seu grupo favorito, outro fala alto por ser surdo e um outro parece entender bastante de diversos assuntos. Um deles é fissurado por desenhos infantis, a maioria dos trechos dos desenhos que passam no filme, são de desenhos antigos e violentos, Gato Félix, Betty Boop e Comichão e Coçadinha, este vicio passa para sua filha, que tem problemas psiquiátricos e sempre está metida em problemas.

Os desenhos infantis que aparecem no programa, assim como os trechos do livro que aparecem durante o filme, também antecendem ou sucedem, acontecimentos que ocorrem no filme. Tanto os trechos do livro, quanto dos desenhos animados são inseridos, provavelmente, com o intuito de passar que tanto um livro como desenhos animados podem ser influenciadores na vida das pessoas.

Outro fator interessante é o respeito que as pessoas do bairro tem por Ghost Dog, ele tem uma certa fama no bairro, ninguém costuma conversar com ele, até que uma menina puxa assunto com ele, quando ele está frente à frente com um cachorro que o fica encarando, mas não quer lhe atacar, nem quer o seu sorvete, apenas está ali, o encarando, dizem que cachorros vem fantasmas, talvez aquele cachorro enxergue o Ghost Dog, alem de sua aparencia. A menina continua a conversa, os dois andam com maletas, ele com uma maleta, tipo 007, cheia de armas e artefatos que usa em seu trabalho e ela com uma lancheira que não tem lanche e sim livros. Os dois gostam de livros, ele empresta para a menina o livro RASHOMON, um livro japonês de contos, dois contos deste livro foram adaptados por Akira Kurosawa em um filme com o mesmo titulo.

O melhor amigo de Ghost Dog é um sorveteiro que tem em uma praça, o interessante é que o sorveteiro só fala em Frances, mesmo assim eles conseguem se entender muito bem, é até engraçado como o dialogo acontece entre eles. Aqui, como em Down by Law, acredito que Jamursch trabalha a questão da amizade, que mesmo duas pessoas que não se comunicam na mesma língua, podem ser bons amigos.

Uma coisa que não pode faltar nos filme de Jamursch são os personagens estranhos e totalmente encantadores, aqui temos o sorveteiro que só fala Frances, a simpática menina que tem bons livros numa lancheira, um mafioso que gosta de Public Enemy e diversos outros personagens, as vezes com papéis bem pequenos, mas que fazem uma grande diferença durante o filme, porque vão acrescentando a estória principal detalhes que deixam o filme muito mais simpático e agradável, alem de acrescentar um valor semiótico muito atraente.

A fotografia que foi realizada pelo mesmo diretor de fotografia do filme Dançando no escuro do Lars Von Trier, é muito boa, gosto bastante do jeito que ele trabalha com as penumbras, que não são muitas no filme, mas que tem um efeito bem legal, principalmente porque acentua o mistério em cima do Ghost Dog.

A trilha sonora também é muito bom no filme, principalmente, por não ser uma trilha que avisa que emoções temos que sentir durante do filme. E sim que é o momento que o Ghost Dog está passando, geralmente vê-se ele colocando um CD no aparelho do carro e ele na maior parte do tempo, é tocado um RAP, a trilha foi composta por um dos integrantes do famoso grupo de rap, Wu Tang Clan, muito bem aplicada, cria um clima de relaxamento durante os momentos que Ghost Dog está no carro, no caminho de cumprir mais uma missão.

Uma cena que me deixou curioso foi a cena em que os mafiosos são parados por um carro de policia, eles matam a policial que os abordam e vão embora, intrigado porque mataram uma mulher, logo eles respondem a minha pergunta, com provavelmente uma opinião pessoal do diretor sobre mulheres que exercem profissões que são tradicionalmente exercidas por homens.

Ghost Dog é um filme que globaliza diversas culturas antigas, com uma roupagem contemporânea, como o próprio protagonista diz em um momento, as vezes precisamos seguir alguma tradição antiga, é complicado deixarmos para traz velhas tradições e manias. Após ver este filme, pensei que o Jim Jamursch é um pré-Tarantino, porque ele bebe de diversas fontes e vai encaixando numa forma contemporânea de narrativa e cinematografia, inseridos no estilo do Jamursch. Um belo filme que diz para as pessoas serem mais fieis a suas idéias e objetivos.

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