CACHÉ

Caché (Idem)
Dirigido por: Michael Haneke
Duração: 120 minutos


Sempre é muito bom ver um filme do Michael Haneke no cinema, tive esta oportunidade no ano passado na mostra de cinema de São Paulo, vi A fita branca e recentemente vi na retrospectiva da Reserva Cultural o filme Cachê. Não costumo buscar informações sobre os filmes antes de assisti-los, inclusive recomendo que veja o filme antes de ler este texto, no entanto, depois de ver alguns filmes do Haneke, espero sempre encontrar um filme tenso, nauseante e violento, mas não uma violência banal que vemos na maioria dos filmes hoje em dia e sim uma violência que beira a poesia se não fosse pelo mal que causa em quem a sofre.
Logo no começo sou surpreendido por uma cena, um tanto quanto estranha, com uma câmera estática vemos um bairro residencial na França, não acontece nada na cena durante uns cinco minutos, depois começam a passar uma moto, uma pessoa andando, uma pomba voando e duas pessoas conversam em off, dando a impressão de que há algumas pessoas olhando a casa que está no centro da imagem. A angustia da cena termina quando o filme começa a voltar para trás, como uma fita VHS, vista num aparelho de vídeo domestico.
Georges um apresentador de um programa de discussão e entrevistas sobre literatura e Anne que trabalha numa editora, é um casal que vê na televisão uma fita que tem duas horas de imagens da fachada da casa deles, a fita foi recebida anonimamente e eles não entendem o porque de estarem recebendo a fita, por não conter nada além de imagens da casa. Depois de um tempo outras fitas são recebidas, junto com desenhos infantis com traços simples e conteúdo mórbido.

O casal que tem um filho, começa a ficar assustado com toda esta situação. Georges depois de receber uma fita com imagens do local onde viveu sua infância parece desconfiar de quem está enviando as fitas e desenhos.
A polícia diz não poder ajudar, só quando tiverem uma ameaça real de perigo, assim Georges começa uma investigação própria, ele vai atrás de quem ele desconfia o que lhe causa pesadelos e lembranças ruins de sua infância, briga com Anne porque ele não é totalmente sincero quanto aos seus planos para encontrar Georges, aumentando a tensão entre o casal, além dos problemas que as cartas com as fitas já estão lhes causando.
A tensão realmente se torna insuportável tanto para as personagens, quanto para os espectadores, quando o filho do casal desaparece e ninguém sabe o que aconteceu, as fitas continuam chegando, os pesadelos se intensificam, as brigas aumentam.
Caché é um filme de suspense com quase dois pés no cinema autoral, Haneke consegue passar um suspense tão grande com as imagens e a direção que ganhou palma de ouro merecidamente em Cannes em 2005, é impecável, não há um momento que você não sai da estória por uma má atuação, o filme é realmente muito bonito, com belos planos estáticos, a fotografia dos filmes do Haneke são sempre um caso a parte, as penumbras que ele usa sempre deixam os filmes ainda mais sombrios, gosto também das pausas que os atores dão que causa ainda mais angustia em quem está assistindo.
Uma das cenas mais impressionantes, talvez o suicídio mais brutal no cinema está neste filme, não há como não se contorcer na cadeira durante tal agressividade diante das telas, que aparece totalmente de surpresa.

Haneke não é um cineasta que dá todas as respostas no final do filme, o filme acaba e você pensa, e aí? Só isso? Apesar de achar que o diretor é um filho da puta por não terminar a estória que ele estava contando, os filmes dele te deixa pensando durante dias, você fica extasiado, totalmente em transe com aquelas imagens e fica imaginando o que aconteceu durante as quase duas horas que dura o filme. Caché me lembrou o filme LOST HIGHWAY (a estrada perdida) do David Lynch que de certa forma tem a mesma estória, que são pessoas que recebem fitas de sua casa e não sabem de onde elas vem, não sei até que ponto o filme de Lynch tenha influenciado o Haneke. A violência das imagens e do conteúdo são surpreendentes um verdadeiro show de cinema moderno, vale lembrar também que Haneke não usa trilha sonora para intensificar ou diminuir a tensão do filme, ele cria toda a tensão apenas com imagens, Caché é uma verdadeira obra-prima do cinema moderno.

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