EU SOU UM CIBORGUE

Eu sou um ciborgue, mas tudo bem (Saibogujiman Kwenchana)
Dirigido por: Park Chan-Wook.
Duração: 105 minutos.

Todos os filmes do diretor sul-coreano Park Chan-Wook que vi me surpreenderam, e não poderia ser diferente com o ciborgue, título ainda não lançado no Brasil, então usei como título nacional a tradução do título em ingles, que soa até que muito bom. Resolvi assistir este filme porque gostei muita da trilogia da vingança (Mr. Vengeance, Old boy e Sympathy for Lady Vengeance), filmes pelos quais o diretor é mundialmente conhecido, e era o único longa do diretor que ainda não tinha visto.
Ciborgue é um filme belo, no inicio vamos entendendo a personagem principal, Young-Goon, que na cena de inicio está em uma fábrica de aparelhos eletrônicos, onde uma voz vai dizendo o que elas tem que fazer, todas as mulheres estão enfileiradas, apenas fazendo seus movimentos mecânicos, os verdadeiros ciborgues da sociedade. Young-Goon é a única que está fazendo algo diferente, ela trabalha em algo que parece um radio, levanta uma antena e vai seguindo os passos de uma voz que só ela ouve. Em contra-plano e contra-diálogo, temos a sua mãe conversando com uma psicológa sobre sua filha, a mãe conta sobre a avó de Young-goon que a criou, que imaginava ser um rato. Young-goon corta seu punho, coloca dois fios nele, põe fita-isolante e liga os fios na rede elétrica, cai no chão e os ciborgues da fábrica, continuam a linha de montagem, como se nada tivesse acontecido.


Depois da tentative de suicidio Young-goon, ela é internada em um manicômio, ela está fraca, não quer comer, porque acha que a comida pode estragar todo o seu mecanismo de ciborgue. Uma mulher gorda a ajuda a comer a sua comida para que ela não tenha que passar por um tratamento de isolamento e lhe forçem a comer, Young-goon para se alimentar/recarregar fica segurando uma pilha, ou lambendo outra para que suas energias se recarreguem, ela conversa com um radio, com as luzes e com outros aparelhos eletrônicos, mas ninguêm consegue saber o porque dela não comer.
Entre todos os internos do hospital, um dos que se destacam é um cleptomaníaco que acredita roubar a loucura e outras coisas não materias dos outros internos, Il-Soon é o que mais parece gostar de Young-Goon e aos poucos ele resolve ir se aproximando dela e tenta ajudá-la.
Young-Goon quer saber qual a sua missão na terra, porque ela existe, e ela acredita que sua avó saiba o porque e quando sua avó foi internada, devido ela se achar um rato, deixou em casa a dentadura que precisava para ficar comendo rabanetes, única coisa que sua avó comia, e Young-Goon fica extremamente preocupada porque tem que entregar a dentadura para sua avó para que ela possa comer, mas não sabe como, até que conversando com a luz em cima de sua cama, a luz diz que ela tem que matar todos os enfermeiros e fugir para devolver a dentadura para sua avó e descobrir a razão de sua existência. A luz lhe diz quais são os sete pecados que ela não pode cometer para cumprir a sua missão.


Cada vez mais fraca, Young-Goon começa a perder suas forças e ninguêm consegue fazer com que ela coma, até que Il-Soon tem uma idéia, ele tem que encontrar com ela para poder ter o seu plano posto em prática. Começa uma grande estória de amor, percebe-se que Il-Soon está apaixonado por Young-Goon e quer muito ajudá-la, então ele desenvolve um aparelho para que o arroz seja convertido em energia, para que ela possa voltar a comer, ele instala o aparelho nela e assim ela volta a comer. Os dois passam momentos dignos de qualquer bom romance do cinema, tem a todo momento cenas belas de um casal. Este é o apice do filme que mostra um amor entre duas pessoas, mas estas pessoas até então eram completamente estranhas e pareciam apenas ser loucos que viviam apenas no seu mundo e não conseguiriam compartilhar nada com ninguêm, sequer algum sentimento.
O filme tem a beleza de um romance e bela fotografia de um bom filme do Kurosawa, personagens de um sanatório tão bons, como de outros filmes como Garota Interrompida ou Um estranho no ninho, gostei da trilha Sonora que ajuda a deixar “os loucos” mais humanos, quando estão em situações estranhas, Park Chan-Wook talvez seja o mestre de fazer cenas ridículas parecerem altamente poéticas, já tinha feito isto na trilogia da vingança e tambêm conseguiu isso com o posterior Sede de Sangue. Nada importante na estória parece fugir do olhar da câmera. Temos ainda belos efeitos que mostram as alucinações e imaginações dos internos, desde pessoas voando, até Young-Goon matando todos os enfermeiros do hospital com suas armas que saem de seus dedos, fazendo voar sangue de enfermeiro por onde ela passa.
Park Chan-Wook certamente é um dos melhores e mais promissores cineastas da nova geração, junto com Tarantino, Miike e Gaspar Noe. Cada um com seu estilo e genialidade. Gostei bastante do ciborgue porque tem uma bela estória de amor, mas tambêm porque ele tirou de uma situação totalmente atípica, de algo onde poucos conseguiriam tirar uma bela estória, há uma sensibilidade incrivel neste filme, admirável de qualquer ponto de vista, seja do roteiro, dos personagens construidos junto com os atores, da fotografia, da trilha Sonora, um dos melhores filmes que vi este ano.

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