PECADOS DA CARNE

Pecados da carne (Einaym Pkuhot)

Dirigido por: Haim Tabakman

Duração: 91 minutos


Ao entrar no cinema eu só sabia que iria ver um filme Israelense,  produzido por diversos países, chamado Pecados da carne. Não tinha lido nem a sinopse que vem no folheto de programação do cinema. Imagina um filme contestador com o título de Pecados e algo sexual por causa da palavra carne, já que o título nos remete a alguma passagem da bíblia que diz algo sobre “a carne é fraca” ou algo do gênero.

A primeira cena é um jovem andando na chuva que chega até um comércio, ele é judeu e está num bairro judeu ortodoxo em Jerusalém. O jovem pede para usar o telefone, o dono do comércio está estudando e não dá muita atenção para o jovem, que faz a ligação e não obtêm sucesso, desesperado visualmente ele demonstra fraqueza diante do dono do comércio que lhe oferece um chá e tenta ajudar o jovem.

O comércio é um açougue e seu dono atende pelo nome de Aaron e o jovem rapaz, chamado Ezri recebe hospedagem e emprego no açougue, depois de encontrar Ezri dormindo numa mesquita Aaron resolve lhe dar um emprego. Ezri não sabe nada sobre açougues, mas como um jovem interessado, ele vai desenvolvendo a arte de fatiar um bife. Aaron pacientemente vai ensinando o jovem e mesmo sabendo que Ezri havia sido expulso de sua antiga escola por pederastia, ele aceita o jovem em seu estabelecimento com o intuito de “recuperar” o jovem, dizendo que ele deve ajudar as pessoas, como forma de se mostrar bom diante do problema que Deus colocou em sua frente.

Aaron é casado e tem quatro filhos, seu casamento, ao que parece, corre de forma normal para um casamento judeu, a imagem que tenho dos judeus ortodoxos é que eles não demonstram seus sentimentos em momento algum, são pessoas totalmente frias diante de suas emoções e o filme mostra isso até dentro de casa, nem mesmo sozinho com sua esposa, no quarto deles, o casal parece falar sobre seus sentimentos, o modo deles de demonstrar carinho é muito diferente que um brasileiro está tradicionalmente acostumado, por exemplo. Não há grandes juras de amor, as palavras deles parecem não importar tanto quanto as palavras de Deus, somente as atitudes deles são suficientes para mostrarem estes sentimentos.

Ezri faz desenhos com lápis em um caderno, num dia quando estava sentado na laje do açougue, Aaron aparece para ver como está Ezri, Aaron pede para Ezri que o desenhe, Ezri começa a olhar Aaron e vai para cima dele tentando beijá-lo, Aaron o segura e não o deixa chegar perto, dizendo para que Ezri se contenha que não tente nada com ele. E completa com algum sermão judeu baseado nas palavras de Deus.

Ezri e Aaron começam a ter problemas com “o grupo de bons costumes” do bairro que quer que Ezri deixe o bairro, Aaron começa a chegar atrasado em casa, não ter atração pela sua esposa. Até o Rabino da mesquita do bairro, que é amigo de Aaron, conversa com ele sobre Ezri. Mas Aaron está apaixonado pelo juventude e beleza de Ezri.

Pecados da carne é um filme polêmico e pesado, talvez até mais que outro filme que segue a mesma linha que é “O segredo de Brookeback Mountain”. Porque mostra um casal homossexual de judeus ortodoxos, que além de não demonstrarem seus sentimentos, ainda tem um relacionamento que em sua religião e modo de vida é extremamente proibido, um filme que mostra que o amor pode surgir de qualquer um em qualquer lugar, mas que nem sempre ele pode ser completo, o amor ou atração sexual que seja, nem sempre tem a prioridade num mundo cheio de tradicionalismo e moral.

Gostei bastante do jeito que o filme é dirigido, principalmente da câmera que tem movimentos tradicionais, mais que deixam o filme muito agradável de assistir, a fotografia é muito bela que pega um cinza escuro que deve predominar nas noites de Jerusalem, demonstrando tanto uma frieza dos personagens, quanto do clima que a cidade pode causar nas pessoas e junto de um açougue onde impera o vermelho das carnes, surge um amor carnal impossível, mas que se realiza, as cenas de sexo soam estranhas e chocantes aos não acostumados, um roteiro que talvez não seja inovador, porém um filme bem filmado e que tem um bom ritmo, apesar do início causar uma certa estranheza, pela estética mais lenta e obscura adotada pelo diretor.

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