EDUCAÇÃO

Educação (An Education)

Dirigido por: Lone Scherfig.

Duração: 100 minutos.

Depois de ter visto o filme Alta Fidelidade, já resenhado aqui no blog, procurei conhecer mais sobre o escritor Nick Hornby que tem uma escrita que agrada os intelectuais e pessoas amantes da arte, se os dois grupos não são os mesmos afinal. Quando saiu o filme Educação, fiquei curioso para ver outro filme escrito por Hornby e desta vez não era uma adaptação de um livro seu e sim um roteiro feito para o cinema. É claro que o filme concorrendo ao Oscar adiantou minha ânsia de assistir ao filme, tanto que sai para vê-lo numa tarde de domingo chuvosa.

Educação, como o próprio titulo sugere, é um filme que expõe uma situação em que muitas mulheres, principalmente em países mais tradicionais e católicos, acabam passando, que é o de deixar de estudar para ter uma vida acadêmica melhor para se casar, porque o marido já tem uma estabilidade financeira melhor e pode lhe dar uma vida mais estável, já que ainda no mundo, a mulher não é tão aceita no mercado de trabalho como possa imaginar os mais liberais e modernos, ainda tem um certo bloqueio, que vem de nossa cultura ancestral não aceitar que as mulheres trabalhem e sejam independentes, mesmo tendo mudado muito nas últimas décadas. O filme de Scherfig, que tem uma direção impecável, trata bem desse assunto.

O filme ainda tem alguns assuntos abordados fora da linha principal de narração, muitos deles muito bem entrelaçados, o que era de se esperar de um filme escrito por Hornby. Um dos pontos interessantes, assim como em Alta Fidelidade é que a personagem principal Jenny, que conquista logo no começo o espectador, ela tem uma graciosidade e simpatia incríveis. Jenny toca violoncelo, como matéria extra-curricular, porque seus pais acham importante ela aprender musica para ser aceita mais facilmente em Oxford. Faculdade que parecesse que seus pais querem mais do que ela, Jenny é a melhor aluna da sala, ela estuda numa escola só para meninas e vive lendo Camus, livros e filmes franceses são sua paixão, ela sonha viajar para Paris.

Jenny acaba encontrando um homem mais velho, David que lhe oferece uma carona em uma tarde chuvosa da Inglaterra, eles acabam se envolvendo, com David conseguindo convencer os pais de Jenny, os deslumbrando com seu dinheiro. Jenny e David vão a um concerto de musica clássica que Jenny nunca tinha visto antes, tinha apenas presenciado concertos em seu colégio, ela fica deslumbrada com todo o espetáculo, como uma menina que vê seus ídolos musicais pela primeira vez. David continua mostrando outras coisas que o dinheiro pode conseguir em questão de arte e cultura, vão a leilões de obras de arte, bares, concertos, o que vai deslumbrando cada vez mais Jenny.

O romance de Jenny e David começa a se intensificar eles viajam para Oxford e Paris, em Paris tem uma cena muito boa, quando acontece a primeira vez de Jenny, no dia do seu aniversário de 17 anos, até então os dois não tinham tido nada alem de alguns beijos e amassos, mas nada fica explicito no filme.  Depois de um tempo em que estão saindo juntos, mesmo com Jenny descobrindo o que David faz para ganhar dinheiro, que é um outro assunto muito bem abordado no filme. David rouba obras de arte, seu argumento para tal é que ele não é burguês, e o consumo e o tradicionalismo da Inglaterra são muito burguês, estas frases libertárias deixam Jenny, uma jovem idealizadora e sonhadora, muito encantada.

David pede Jenny em casamento, só que ela terá que largar os estudos, Jenny conversa com seus pais, eles como estavam encantados com o dinheiro de David, sabendo também que ele poderia dar um futuro melhor para a filha deles, decidem que Jenny pode se casar. Mas não pode ser o que as aparências mostram e o final pode não ser tão feliz como uma tradicional comédia romântica. Ou filme romântico europeu.

Educação expõe um problema da década de 60 na Inglaterra, que é a decisão de uma menina em cursar um curso superior numa ótima faculdade ou se entregar a um casamento. Mas isso também acontece muito hoje em dia, no Brasil mais entre as classes sociais mais baixas, mesmo não sendo exclusividade destas classes. Muito bem filmado e atuado, não entre no top10 dos favoritos, mas um bom filme para refletir e entreter também.

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