O BANDIDO DA LUZ VERMELHA

O bandido da luz vermelha (nacional)
Dirigido por: Rogério Sganzerla
Duração: 93 minutos.

O bandido da luz vermelha é um dos filmes que consolidam o cinema underground brasileiro. É o primeiro filme de Rogério Sganzerla.
O próprio diretor confessou que o filme não era para ser sobre o bandido da luz vermelha, apenas aproveitou os recentes acontecimentos e adaptou a estória que já havia escrito, para poder promover o seu filme e uma estória de um fora da lei, um western moderno.
Sganzerla coloca como narradores dos filmes duas pessoas, um homem e uma mulher, dois jornalistas que vão falando sobre os acontecimentos que vão ocorrendo com o bandido. “-Ele não perdoa, além de roubar, ele estupra e mata”. Dizem os narradores que a cada momento se revezam nas palavras das frases. As cenas são desconcertantes, tem uma violência, só que não é algo explícito, tem um certo tom de critica social, algo minimalista, um modo de ver tanto a sociedade, como o modo de fazer filmes, na época de seu lançamento, o final dos anos 60.

A estória gira em torno dos roubos do Bandido e de seu romance com uma mulher. Ninguém sabe quem é o bandido, até dizem que ele é um Robin Hood brasileiro. Mas os narradores vão desmentindo todas as fábulas em torno do bandido. Como não podia deixar de ter, temos o bandido e o policial que tenta prende-lo a todo custo, sempre com tentativas fracassadas, sendo enganado pelo bandido e pressionado pelas autoridades e pela sociedade influenciada pelos jornalistas.
O mais interessante deste filme não é o enredo em si e sim o modo de narração que é usado para mostrar os fatos e colocar idéias e mensagens “criptografadas” que nem todos podem decifrar num primeiro momento, nem num segundo, é preciso ter certa bagagem cultural, só que elas estão ali para que possamos além de ver um filme, poder refletir sobre algumas questões que na época e hoje também são apontados como problemas por algumas pessoas. Tanto o modo como encaramos os bandidos, como o modo como encaramos o cinema nacional.
Sem querer defender o modo de vida de um bandido, Rogério coloca argumentos que mostram que apesar de tudo ele também é um ser humano, é claro que não está seguindo as leis da sociedade, mas não deixa de ser um humano. O cinema nacional deixa de ser uma cópia do cinema americano, os planos, os modos de narração, não são comuns de um western, que geralmente é cheio de ação, mocinhos e cavalos, aqui temos uma cidade grande, carros, pobreza.
Vale a pena assistir este filme não apenas por ser um filme do underground nacional, ele tem uma estética que não vemos em qualquer filme, com certeza é um dos melhores filmes nacionais, é uma pena que os filmes nacionais não são mais como estes, são poucos os que ainda ousam, porque não existe público e nem dinheiro para fazer isto. “Se eu fosse você” não perderia um verdadeiro filme nacional de qualidade muito acima da média que tem sido lançado.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s