IMPÉRIO DOS SONHOS

Império dos Sonhos (Inland Empire)

Dirigido por: David Lynch

Duração: 172 minutos

Foi num domingo pela manhã no conjunto nacional na Av. Paulista, na capital do estado de São Paulo, numa exibição pela 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, depois de ficar 1:20h na fila para garantir um ingresso, eis que às 12:00h em ponto do dia 21-outubro-2007 a pouco mais de um mês atrás que eu enfim entrei na sala 01 do Cine Bombril para ver pela primeira vez no cinema um filme de David Lynch.

As luzes se apagam e um certo desconforto paira sobre o lúgubre silêncio na sala. Deve ser por causa dos tensos assuntos abordados por Lynch.

O filme começa, vemos duas pessoas conversando numa língua que não se entende e também não há legendas o que torna o diálogo sem sentido num primeiro momento, mas depois com a bela atuação e direção, através das expressões faciais, gestos e tons de voz, temos uma impressão do que está acontecendo, neste momento acreditei que se tratava da língua do contrário, explorada por Lynch no seriado Twin Peaks, produzido por Lyn
ch e Mark Frost e no longa “Twin Peaks”, os últimos dias de Laura Palmer,com o decorrer do filme percebi que eles falavam polonês, depois desta cena inicial confusa e longa, vemos a protagonista Nikki Grace (Laura Dern) que é uma atriz de Hollywood, em uma das cenas mais perturbadoras criadas por Lynch onde uma vizinha curiosa faz perguntas ofensivas o que deixa Nikki Grace nervosa.
Nikki Grace consegue o papel num filme de suspense, e sem saber que era um remake de um filme inacabado, porque os protagonistas foram assassinados, ela e Devon Berk, famoso ator que sempre tem romances com as atrizes do filme que participa, começam a ensaiar para o filme já no set de gravação, Devon pensa que ouviu alguém no set, vai atrás e não encontra ninguém.

Apartir deste momento começa o quebra-cabeças de Lynch, nos diálogos do filme vemos o casal conversando sobre amor e sentimentos, mas não sabemos se eles estão no filme ou na vida real, Nikki começa a ficar perturbada, pois seu marido ciumento a pressiona a todo momento, Nikki começa a se sentir envolvida por Devon, que é casado, entre um dos diálogos Nikki desmaia e as gravações param.

Há também um inexplicável programa de auditório, com coelhos, eles atuam e fazem diálogos sérios, mas sempre há aquelas risadas típicas de seriados americanos, está é uma das partes onde acredito que ele faz uma crítica as pessoas que assistem seriados sobre o cotidiano de pessoas comuns e acham graça nisso, apesar de que todos já rimos em algum destes seriados americanos.

Nikki começa a se perder, não sabe mais quando está atuando ou está conversando na vida real, se sente totalmente atraída por Devon, eles transam, aí o espectador já não sabe se é na vida real dos personagens ou no filme que eles estão gravando, tudo começa a se misturar até para as pessoas que estão sentadas em frente há uma gigante tela, temos visões de mulheres semi-nuas dançando em volta de Nikki, com as sempre “homenagens” a musicais de Lynch que deixa qualquer um impressionado, a música e os movimento sempre impressionam, nestes clipes de Lynch.

Com a confusão total dos personagens do filme e do espectador tomadas que parecem ser da vida real, são subitamente interrompidas com o grito de corta, do diretor Kinglsey Stewart, que dirige o remake do filme que foi chamado de 47, uma espécie de maldição deve cercar a história e Lynch aborda a superstição destes atores de Hollywood.

Com maestria de um gênio, Lynch nos mostra que sonho, realidade, fantasia, desejo, não tem limites para a mente e que qualquer desvio pode levar a estados extremos de loucura, os personagens se misturam, é um ótimo filme para quem gosta de sair com dúvidas do cinema e sentar com amigos para discutir. Não é nada novo em se tratando de Lynch, pois ele já abordou os mesmos assuntos em Eraserhead, Veludo Azul, Twin Peaks e Mullholland Drive, mas ainda assim ele se supera em sua “saga dos sonhos”. Uma das curiosidades deste filme é que ele levou anos para ser terminado porque não havia um roteiro pré-estabelecido e foi filmado com uma câmera digital, deixou de lado a película.
Não vou dar nota para os filmes aqui comentados, pois o texto já fala tudo e como pretendo colocar apenas filmes dos quais eu realmente goste ou gostei. Na próxima provavelmente falarei do filme “Entre o céu e o inferno” (Black Snake Moan). Escrevo este texto ao som da banda Nick Cave and the bad seeds. Ainda estou começando a escrever sobre filmes, qualquer comentário bom e ruim, será muito bem aceito, lembrando que não quero ser um comentarista famoso, apenas quero compartilhar minhas idéias com vários outros amantes do cinema.

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