QUALQUER AUTORIDADE REPRIME

THX 1138 (THX 1138) – 1971.
Dirigido por: George Lucas.
Duração: 86 minutos.

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Os filmes de George Lucas fizeram parte da minha infância e adolescência, acredito que da maioria das pessoas que fazem parte da minha geração, com a saga Star Wars e Indiana Jones. Fazia tempo que estava com vontade de assistir este primeiro experimento de ficção-científica do George Lucas.

THX 1138 é o nome/identificação de uma pessoa de um futuro ambientado quase que completamente em ambientes fechados e exageradamente brancos. THX trabalha em uma fábrica que usa produtos nucleares e ele é apenas mais um em meio a tantas THXLUHpessoas que fazem apenas uma parte de um processo que faz um produto, não é especificado qual o produto. Em seu lar THX divide com uma companheira LUH, que também trabalha na mesma empresa que ele, só que ela parece ter um trabalho de supervisão, um cargo menos perigoso, mas, com mais responsabilidades e submetida ao tédio e ordens constantes ditadas por uma voz através de alto falantes da mesma maneira. O relacionamento de THX e LUH começa a mudar quando THX cada vez mais deprimido começa a não aceitar todas as regras da sociedade em que está vivendo e é com o amor de LUH, que até então parecia ser algo frio e robótico, começa a incentivar THX a mudar, a questionar, a não aceitar tudo aquilo que lhes é imposto. THX e LUH passam por diversos conflitos até a prisão e fuga de THX que o leva para outra fase de sua vida, um novo início.

thx_1138_004Um dos aspectos curiosos do filme, que permeia muitos filmes de ficção científica, é que no futuro os estados se tornar-se totalitários e as pessoas vivem conforme objetos de uma gigantesca fábrica, o que nos lembra a atual sociedade, onde, quando uma pessoa já não serve para produzir e consumir, ela pode ser substituída, sempre há outra pessoa para ser explorada no lugar de uma que não serve mais, que não concorda mais com o que está acontecendo.

No filme o estado chega a ser até a religião das pessoas, que através de “cabines de conversa” onde as respostas de “deus” não passam de gravações para animar as pessoas, fazem que estas pessoas sejam ainda mais manipuladas e a tentativa de estimular que elas continuem produzindo nesta cidade. Se estas pessoas são uma peça podre, o estado as exclui e o tratamento neste estado é para que após uma lavagem cerebral as pessoas voltem a servir o estado como pessoas ainda mais escravizadas, porque elas não teriam mais direito a alguns privilégios, como um lar, entretenimento e um emprego. Pode ser até uma crítica aos estados Socialistas que querem poder total ao thx-1138-originalestado, ao mesmo tempo em que vemos que tem uma forte ligação com o atual estado Capitalista que vivemos, onde há um poder muito grande das empresas que detêm a maior parte do capital financeiro, pessoas sendo controladas e virando objeto de uma máquina parecem fazer parte de qualquer sociedade onde há autoridades.

As pessoas são tão controladas nesta sociedade, que há outras pessoas monitorando até o estresse de cada funcionário, para que ele não cometa erros e assim evitem que aconteçam ainda mais acidentes, principalmente na sessão aonde THX trabalha. Remédios ajudam as pessoas a controlarem seus sentimentos, George Lucas saca muito bem que os remédios, hoje em dia os antidepressivos, também são uma forma de controle social, principalmente os antidepressivos dado para crianças hiperativas, no filme faz com que elas estejam sempre “dopadas” e apáticas e assim não se atentem para os problemas da sociedade, por exemplo. Criando uma sociedade cada vez mais apática e deixando as pessoas com menos tempo para fazerem o que realmente gostariam, que pode ser mais lazer, mais tempo para interagir pessoalmente com aqueles do qual gosta, procurarem cultura, diversão, entretenimento, informação, ou seja, terem mais qualidade de vida, só que tanto no filme como na sociedade atual a máquina não pode parar.

screenshot-lrg-02O filme é totalmente branco, é um branco que cega, de tão branco, é muito mais difícil filmar a luz branca, porque ela reflete muita luz e isso dificulta o trabalho da direção de fotografia, mas o filme é muito bem realizado neste quesito, os atores na maior parte do tempo são apáticos em fisionomia, mesmo que eles expressem sentimentos apenas por palavras não comprometem o filme em nenhum momento, deixando a atuação irreal neste sentido, na verdade mostra bem como as pessoas “dopadas” agem, e através desta “dopagem” pode ser feita um paralelo tanto pela falta de tempo que temos em buscar informações, por perder tempo no trânsito, no trabalho, vendo televisão, comprando coisas que não precisamos, como consumindo produtos alimentícios e remédios que nos deixam cada vez mais doentes, não que o filme fale diretamente sobre isso, mas, abre um leque de possibilidades para interpretações sobre a sociedade atual, sobre como somos controlados para sermos ovelhas obedientes.

Para o estado poder controlar estas pessoas ele gasta mais do que necessário com repressão para manter as pessoas na linha, para amedrontar e punir aqueles que ac10ee09a4f12680ba46c914868e88bcquestionam o sistema e excluir aqueles que não concordam em viver segundo as regras impostas, as pessoas são absurdamente vigiadas pela polícia, que não ousa em usar violência e a justiça sempre será contra os “subversivos”. O filme é uma busca louca pela liberdade, por sair daquele lugar que não se encaixa, de poder viver segundo suas próprias escolhas e que elas não tenham influência de um estado, seja a qual regime elas estiverem submetidas.

No final alguns questionamentos ficam, como: – o que acontece quando encontramos a liberdade? O que este mundo novo e desconhecido pode nos proporcionar? Ficar sobre o controle de um governo é melhor para nós ou encontrar nosso próprio modo de construir uma sociedade é o melhor? Viver com o medo do conhecido é melhor do que viver com o medo do desconhecido? Estas e mais algumas perguntas ficam voando pela mente ao final da última cena do filme, é um final aberto a interpretações, o que vem depois que um objetivo é alcançado? Cabe a cada um refletir e interpretar as questões do filme conforme suas experiências. Um ótimo filme, mesmo com o andamento lento e o branco agressivo aos olhos.

TRAILER:

DA HIPNOSE AO…

Freud (Freud, além da alma) – 1962.
Dirigido por: John Huston.
Duração: 140 minutos.

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Freud foi um dos maiores pensadores e cientistas do século passado, por estudar a mente humana, como funciona o cérebro humano. “Freud, além da alma” fala sobre o início do seu interesse por pessoas com “histeria”, como os médicos chamavam pessoas doentes que não apresentavam nenhum sintoma físico específico, ou seja, doenças que tem sua causa principal em aspectos psicológicos.

No início do filme Freud é um assistente em um hospital, ele tenta sempre receber pacientes com “histeria”, mas o médico chefe não quer em sua ala pacientes com este tipo de doença, porque acha que as doenças psicológicas são meras frescuras, Freud é expulso do hospital por tentar receber pacientes com “histeria” e é acolhido por outro médico, Dr. Breuer, que tem pacientes que os visita em casa e também faz estudos para entender a “histeria”, assim Freud começa a trabalhar com alguns dos pacientes do Dr. Breuer.maxresdefault

O filme tem alguns flashbacks da vida de Freud e algumas lembranças são feitas através de diálogos de Freud com outros personagens, nestes momentos, vemos que ele é um judeu e foi o único da família que pode estudar medicina, foi uma aposta do seu pai, os outros irmãos não tiveram a mesma oportunidade, o que me parece que era comum no final do século 19, as famílias com muitos filhos não podiam pagar estudos para todos os filhos, então o filho mais velho, desde que fosse homem, iria estudar.

Um dos casos que Freud começa a estudar é de um rapaz que atacou o pai, com o descobrimento do por que o rapaz atacou o pai, Freud se sente chocado com a possibilidade de crueldade do ser humano e fica algum tempo sem trabalhar, tendo sonhos cheios de incógnitas e signos, sonhos que vão mostrando aos poucos o que ele esconde em sua própria mente. É recorrente esta dualidade entre a “histeria” dos pacientes e a própria “histeria” de Freud, é algo extremamente curioso que a sua pesquisa não está apenas no outro e sim nele mesmo também.

freud-pasion-secreta-1962-psicoanalisisApós a morte do seu pai, Freud descobre que tem um problema mal resolvido com seu pai e é através de sonhos que Freud aos poucos começa a descobrir a origem deste problema, ele usa dos sonhos para atingir o seu inconsciente já que não consegue usar a hipnose em si mesmo, a hipnose era um recurso usado por Dr. Breuer para atingir o inconsciente de seus pacientes e Freud segue a técnica de Dr. Breuer para que também possa atingir o inconsciente dos pacientes que está tratando, é estranho pensar que foi através da hipnose, que na sociedade atual é visto como uma magia, algo totalmente pagão e quase excluído dos meios médicos usais na sociedade ocidental.

Dr. Breuer pega um caso que vira problema para a sua vida pessoal, uma jovem, Cecily, que se apaixona por ele e começa a atrapalhar o seu casamento, assim, Dr. Breuer passa a paciente para Freud que sem poder usar a hipnose, porque Cecily não se deixa hipnotizar por Freud, tem que tentar outra maneira de acessar o inconsciente de Cecily, e é durante conversas que Freud começa a esboçar a ideia do que viria a ser a psicanálise.

Neste filme mostra como Freud cria a teoria do “complexo de Édipo” que é rejeitada por si próprio no início, antes mesmo dele chama-la assim e posteriormente é rejeitada pelo Dr. Freud-32436_1Breuer que o renega quando Freud resolve escrever um artigo que deveria ser de co-autoria do Dr. Breuer e Freud enfrenta diversos médicos ao ler seu artigo em um grande auditório na universidade de Viena e é veementemente vaiado.

Gosto do conceito deste filme porque mostra de forma sintetizada um pouco de algumas ideias de Freud, como temos medo não só do que a sociedade tem de ruim, mas o que temos dentro de nós mesmos, como o nosso inconsciente que pode trazer ideias completamente violentas e como as pessoas não querem enxergar estas ideias até hoje. Se na época que Freud apresentou o trabalho do complexo de Édipo a sociedade não aceitava que a criança foi apaixonada e tinha desejo sexual por seus pais e que isso reprimido poderia trazer problemas para a vida pessoal quando esta pessoa se tornasse adulta, até hoje, muitas pessoas não gostam de ouvir isso e não é algo falado abertamente entre as pessoas em geral. O filme também mostra como as novas ideias são sempre rejeitadas num primeiro momento, principalmente quando elas são extremamente contrárias o que as pessoas veem como verdades e tem pessoas que morrem sem aceitar novas ideias ou mudanças, é realmente difícil aceitar que há outras verdades, que a verdade absoluta não existe, é um conflito existencial constante que passamos, caso não aceitamos uma freuddverdade como absoluta e quem não aceita mudanças ou reflete sobre elas, vive num estado constante de negação e se frustra com a vida assim como aqueles que vivem na dúvida.

Gosto também do aspecto mais onírico do início dos estudos de Freud, que coloca a interpretação dos sonhos, no caso deste filme, apenas os seus como um objeto de estudo do inconsciente, porque sonhamos? O que significa isso? Muitas pessoas vivem sonhando e confabulam sobre o sentido de tudo aquilo, há até manuais hoje em dia sobre a interpretação dos sonhos e Freud fez um estudo minucioso sobre o assunto em um livro chamado “a interpretação dos sonhos” que tem duas partes, mas, isto não é visto como algo que pode solucionar problemas pessoais e ajudar a entender quem se é. O uso da hipnose é muito interessante também, porque ao meu ver a hipnose hoje é vista quase que exclusivamente como truques de mágica, explorados por programas dominicais de auditório na televisão brasileira, não se leva muito a sério o uso da hipnose para ajudar pessoas, alguns acreditam, ou tem medo, acredito que a maioria tenha medo, por não conhecer mesmo, mas, no filme, vemos que Freud usa a hipnose como ferramenta para outras descobertas e que apesar de naquela época já haver muito preconceito contra a hipnose por não ser uma ciência exata e não pertencer aos preceitos intelectuais da medicina, o seu uso é visto como absurdo e ultrapassado.

Diante de tantas descobertas científicas do campo da psicologia ainda temos em paralelo, a vida de Freud, seu relacionamento com sua já idosa e conselheira mãe, o relacionamento com sua esposa, que passa muito tempo em casa e quase não tem tempo de aproveitar a presença do marido em casa, mas que lhe apoia e o incentiva mesmo com as fofocas sobre a vida pessoal e profissional de Freud não serem muito boas para a vida em comunidade. Os traumas de Freud também são expostos mostrando que aqueles que estudam e podem encontrar o problemas psicológicos de outra pessoa, pode não ter encontrado o próprio problema, que ninguém está livre de entender completamente o que se passa no inconsciente, nem mesmo no seu próprio.

Freud, secret passion - Freud de espaldas ante su auditorioO filme é feito totalmente em preto e branco, a direção de fotografia do filme segue o padrão dos filmes da época, com um pouco mais de ousadia experimental quando mostra os sonhos e delírios dos personagens, é muito bonita, mas se você tem curiosidade sobre o assunto abordado no filme não prestará muita atenção aos aspectos técnicos, os atores conseguem levar o espectador para o enredo do filme com muita facilidade, com atuações muito impressionantes, digo impressionante, porque, ele cumpre o papel de contar a história, você quase não percebe a atuação como o forte do filme, os atores não estão se destacando, eles estão conseguindo ser os personagens, isto é fruto de uma direção consistente, apoiada por uma parte técnica perfeita. O filme atinge perfeitamente o seu objetivo, não é inovador em sua estética, mas é um filme muito bem feito, com uma preocupação gigantesca em torna-lo completamente realista a uma história real.

TRAILER:

UGRA THE KARMA – DOCUMENTÁRIO

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Título: Ugra The Karma.

Diretor: Paulo Oliveira.

Duração: 73 minutos.

Áudio: Português-Brasil.

Legenda: não tem.

Ano: 2012.

 

Sinopse: “Imagens e reflexões sobre o 1º Ugra Zine Fest, evento pioneiro que ocorreu em dois dias na cidade de São Paulo em 2011, realizado pela Ugra Press para discutir e difundir o fanzine e publicações independentes no Brasil”.

 

Torrent (Mega) – DOWNLOAD

Consumindo para o declínio.

A Grande Noite (Le Gran Soir) – 2012.
Direção: Benoit Délépine e Gustave Kervern.
Duração: 92 minutos.

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Filmes que tem personagens punks sempre me chamam a atenção, por isso, resolvi assistir “A grande noite”, um dos personagens é um punk-cachorro, como ele mesmo se rotula, que é um punk que mora na rua e vive pedindo, contrapondo as amarras da sociedade capitalista europeia atual. Este é um filme franco-belgo que contém um ator Albert Dupontel, como o irmão trabalhador do punk, Dupontel que fez o inesquecível filme “Irreversível” de Gaspar Noe.

O punk que gosta de ser chamado de NOT, ele renega o seu nome de registro, ele tem soiraté o nome NOT tatuado na testa, ele é um morador em situação de rua que vive com seu cachorro, dormindo em praças e parques e pedindo e ou roubando comida e cervejas de clientes em um estacionamento de um hipermercado e também dentro do próprio mercado, as vezes por troca de favores, como carregar a compra das pessoas ou simplesmente enfiando a mão no carrinho de compras e pegando aquilo que deseja, em geral as pessoas, mesmo que revoltadas, não fazem nada além de algum resmungo ou reclamação. Os pais de NOT tem um restaurante que serve pratos feitos à base de batatas, seu pai parece ser um simples comerciante e a sua mãe parece ter alguns distúrbios mentais, o irmão de NOT, Jean-Pierre, é um vendedor de uma loja de colchões, ele tem uma esposa e uma pequena filha, NOT, Jean-Pierre e seus pais estão comemorando o aniversário da matriarca da família e conversando sobre diversas coisas em uma verborragia quase enlouquecedora dos dois irmãos, se não fosse pela tranquilidade do pai que tenta ajustar algo em seu telefone celular que ele não sabe mexer screenshot_00010e a mãe que fuma na cozinha do restaurante tranquilamente, o caos estaria completamente instalado nas conversas familiares.

Enquanto NOT vive em sua preocupação de arrumar comida para si e também para seu cachorro, Jean-Pierre vive uma crise em seu trabalho, seu chefe cobrando que ele atinja a meta do mês que ele não atingiu e ele começa a pirar, bebe e “bagunça” a loja, seu chefe grava tudo com seu celular, assim Jean-Pierre se vê sem emprego e sua esposa também não quer um homem desempregado e o abandona, Jean-Pierre se junta ao seu irmão NOT em uma jornada de andarilho punk.

20496542.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxNOT e Jean-Pierre que agora se chama DEAD e tem uma tatuagem caseira na testa igual ao irmão, começam a pedir pelas ruas, tomam banho em fontes de água em locais públicos, até que são expulsos da cidade, o pai diz que eles não são filhos dele e da esposa. Então, eles partem para uma zona rural dirigindo uma empilhadeira.

Há diversas cenas interessantes no filme, uma delas é quando eles encontram um camponês que está prestes a se matar enforcando-se e eles convencem o cara a não fazer aquilo daquela maneira que aquilo não é a solução, que não é nada criativo o cara morrer enforcado em uma viga, em um celeiro, mas o camponês acaba colocando fim em sua vida de um modo um pouco mais criativo, só que NOT e DEAD ficam achando que salvaram a vida do cara; outra cena que vale a pena citar é quando o segurança do hipermercado vai falar com o pai de NOT e DEAD que um dos filhos vivendo na rua e “perturbando a ordem” dava para aguentar, mas dois é um problema, o interessante é que o diálogo acontece de um modo estranho, não é um diálogo direto com palavras duras é como se o segurança não quisesse ir até lá falar aquilo para um velho amigo e que o pai deles se sentisse um pouco constrangido e entendesse que ele era responsável em resolver “o problema”, é um diálogo amigável e triste; uma das cenas que marcam é le grand soir 2012 25quando os dois querem recrutar pessoas para uma revolução, algumas pessoas até ouvem o que eles estão falando, mas, ouvindo-os como loucos, apenas para não contrariá-los e ninguém aparece na reunião que eles estavam planejando.

Há frases que ficam na cabeça por serem engraçadas, como quando NOT está no mercado e uma mulher passa com um carrinho de compras cheio de coisas orgânicas e ele diz para ela depois que ela passa ignorando seu pedido de ajuda com comida: – tudo orgânico hein? Vai fazer quimioterapia com beterraba? Tem outra cena onde NOT está dormindo em uma casinha de criança e o segurança do local pergunta o que ele está fazendo e pergunta é sobre a raça do cachorro, NOT responde que a raça dele é punk, o segurança pergunta se ele é inglês, porque se for, espera que ele não faça suas necessidades dentro da casinha, para não precisar limpar no dia seguinte.

Apesar de caricatos em alguns momentos, os personagens são muito bem construídos, não são apenas aquilo que eles mostram com suas roupas e diálogos, são em detalhes de suas ações que vemos o que há na formação de cada um deles, mostrando que a sociedade não é apenas pessoas que trabalham e tem bons empregos e ternos que podem ter vidas boas, que há alternativas em se realizar e sentir-se bem sem estar consumindo, mesmo que de certa forma eles estejam indiretamente consumindo, não são escravos de um modelo que o objetivo final é o consumo. As atuações são muito boas, muito convincentes, hoje em dia o cinema parece ter encontrado diversas maneiras de fazer com que os filmes passem credibilidade em seus personagens através principalmente das atuações e não com truques de câmera, de som, de closes e trilhas le-grand-soir-2-480x250sonoras que ajudam a criar um clima, o ator parece estar se tornando o foco da representação da história, o que valoriza muito mais o trabalho humano em cena.

NOT vive tendo sonhos que está num show punk, onde ele sobe no palco e dá um “mosh”(…é quando a pessoa pula do palco e cai sobre as pessoas que assistem o show e “nada” entre elas), também canta junto com a banda que está se apresentando, em um dos “mosh” ele vai parar fora do local que está acontecendo o show, dentro de uma lixeira enorme, onde ele acorda num outro dia. Quando o seu irmão junta-se a ele, ele até sonha que o irmão está junto com ele, os dois parecem estar sonhando juntos neste momento, como se fosse uma cumplicidade entre os dois, estes sonhos remetem ao relaxamento, a hora de diversão e de extravasar os estresses diários.

O filme ganha ao mostrar uma cidade do interior da Europa onde há poucas pessoas e grandes redes de fast-food, móveis, materiais de construção e objetos que não precisamos a todo o momento comprar mais, trocar por produtos novos, um mundo de hipermercados e shopping centers, onde há poucas pessoas frequentando o pequeno comércio que é esmagado pelas grandes empresas e há muitas pessoas desempregadas e trabalhando em “sub-empregos”, onde os graduados já não arrumam empregos e o preço do imóvel absurdo faz com que pessoas morem nas ruas enquanto uma minoria tem alguns privilégios, onde cada vez mais uma pequena elite se forma através do capitalismo e outros se sentem da elite ao poderem consumir o que é mais caro, uma visão sobre a crise européia.

“A grande noite” pode ser um filme um pouco lento, porque ele tem longos planos-sequência, planos abertos e poucos diálogos, acredito que esta escolha seja para mostrar um pouco o que são os personagens por dentro, o que eles estão sentindo, que há vazios de sentido em suas vidas, que estão cansados de trabalhar e consumir, mas, a busca por mais dinheiro é a única alternativa que a publicidade e os meios de comunicação dizem existir e serem realmente prazerosos, estão procurando um lugar para seus pensamentos em meio aquela imensidão de grandes empresas e placas e outdoors com propagandas para eles consumirem cada vez mais, até eles não conseguirem pagar mais por aquilo e se afundarem em dívidas e depressões, mas também parece ser uma tendência cada vez maior nos filmes de hoje em dia, estes longos planos e silêncios, revivendo filmes de cineastas como Tarkovski, Antonioni e Bergman. É uma forma interessante de se contar estórias, principalmente porque é também uma forma de antagonismo do cinema comercial hollywoodiano, que domina as salas comerciais de cinema em países que não tem tradição em fazer cinema para entretenimento, cinema para o grande público, um cinema cheio de cortes e barulhos de tiros e efeitos especiais, talvez esta contemplação lenta, onde se aproveita mais as paisagens e os personagens seja uma boa forma de aproximar a estética de um filme ao existencialismo e também confrontar estéticas prontas, de sucesso, que cada vez mais prima por estórias de super-heróis, vindos dos quadrinhos, muitas vezes, apenas para ajudar a fixar a imagem de que os Estados Unidos da América está sempre em prontidão paraa salvar e ajudar as pessoas do seu país e dos aliados. A grande noite é um filme gostoso de assistir, é divertido e faz pensar.

 

TRAILER:

TERROR FEITO PELA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA.

Demência (Yeongasi) – 2012.
Dirigido por: Jeong-Woo Park.
Duração: 109 minutos.

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Confesso que adquiri este filme achando que era outro, porque o filme em inglês tem o título de Deranged que é o mesmo título do filme estadunidense sobre o serial killer Ed Gein, comecei assistir ao filme e vi que era um filme sul coreano, mesmo não sendo o filme que achei que seria assisti até o fim e pude ver um dos filmes com um dos melhores roteiros do gênero thriller dos últimos tempos.fullsizephoto238725

Jae-Hyeok é um homem na faixa dos 40 anos que trabalha como vendedor e ganha muito pouco para sustentar sua família, constituída de esposa e dois filhos pequenos, Jae parece já ter trabalhado em uma grande empresa farmacêutica, ele parece ter sido despedido através de algo a ver com investimentos errados na bolsa com indicações de seu irmão, que é um detetive da polícia de Seul, capital da Coréia do Sul.

Uma espécie de epidemia começa a atacar a Coréia do Sul, as pessoas começam a morrer afogadas, principalmente em córregos na cidade e pequenos rios ou até mesmo em suas banheiras particulares, não se sabe o que está causando este aparente suicídio. Com o passar das pesquisas descobre-se que as pessoas antes de se suicidarem começam a comer muito e a querer beber muita água.

A narrativa segue o percurso de Jae na maioria do tempo, mas também mostra a investigação que o seu irmão faz para descobrir o porque dos suicídios, também mostra pessoas da área de saúde que trabalham diretamente com o governo. A epidemia smallderanged01começa a aumentar no país e cada vez mais pessoas estão se suicidando e o governo pega os suspeitos de estarem contaminados e os confinam em um ambiente fechado, com a família de Jae confinada, ele procura alguma solução para ajudar a sua família.

Confinados, além da família de Jae, há diversas pessoas que estão enlouquecendo e tentando se matar, se desidratando e algumas vezes morrendo pelo parasita que habita o corpo destas pessoas doentes.

O governo é vítima de empresários que detêm o remédio para fazer o remédio que elimina o parasita, os empresários não querem fabricar o medicamente e não poderão apenas entregar a fórmula do remédio, que é uma receita secreta e apenas vendendo a empresa por um preço absurdo poderá então fornecer a fórmula do remédio para começar a produzir e tentar salvar as pessoas que ainda conseguem se manter vivas. Foi um grupo de cientistas sócios da empresa que detêm a fórmula do remédio que espalhou a epidemia para poderem vender os remédios, o governo desconfia do golpe, mas acima de tudo tem que parar a epidemia e aceita negociar com os empresários da indústria farmacêutica.

Enquanto isso o detetive irmão de Jae está encontrando evidências para incriminar e fullsizephoto242630encontrar a cura para os doentes. Jae tenta encontrar um frasco do remédio no mercado negro através da internet, em uma das vezes é quase pego pela polícia quando iria comprar de uma pessoa em um apartamento, depois consegue comprar de uma pessoa da indústria farmacêutica, mas vendo uma pessoa com um bebê na rua, acaba dando o remédio para ela e o que sobrou é destruído por uma multidão enfurecida que também tenta conseguir o remédio. O irmão de Jae consegue pegar os culpados e a compra da indústria farmacêutica é cancelada e eles vão até a empresa e conseguem pegar toda a matéria prima para fazer novos remédios para aqueles que ainda estavam contaminados.

Demência ou Loucura, o filme não saiu oficialmente no Brasil, então encontrei estas duas traduções pela internet, o filme conta como uma empresa privada da área farmacêutica pode ter o controle de toda uma população, através de um parasita que sofre uma mutação induzida para usar os seres humanos como hospedeiro desenvolve uma doença que pode ser transmitida através da água dos rios, onde diversas pessoas nadam no verão, se transforma em uma epidemia que poderia simplesmente dizimar uma população. Mostra como a falta de controle pode levar o ser humano ganancioso por riqueza financeira à cometer atrocidades para poder lucrar em cima daquilo depois, será que isso não pode ser interpretado como uma metáfora da realidade, como as novas doenças que surgiram de 50 anos atrás ou menos e que tem remédios que custam muito caro que só beneficiam as grandes empresas da área da farmacêutica, induzindo especialistas da área de farmácia e saúde a desenvolverem e acreditarem que a única forma de curar estas doenças é através destes remédios, tratamentos e cirurgias e não por uma prevenção.vlcsnap-2013-03-10-14h57m34s155

O roteiro do filme é sensacional deste filme, um verdadeiro trabalho de roteirização com pesquisas sobre assuntos muitas vezes secretos de grandes empresas, criticando as empresas farmacêuticas, a ganância do ser humano acima de tudo e que as pessoas em momento de crises podem tomar atitudes extremas e que além das críticas o roteiro mostra o lado humano dos personagens, há diversos tipos de personagens, desde os políticos corruptos e mal intencionados, os sempre mal intencionados donos de grandes empresas, o policial que apesar de não ser um exemplo de bom cidadão no momento de crise resolve fazer um trabalho em favor das pessoas, principalmente para tentar ajudar a família do seu irmão, o pai de família que tenta de todas as formas conseguir passar tranquilidade para sua família, a agente de saúde do governo que tenta fazer o certo, mas o certo sempre esbarra em leis e regras que a impossibilita de agir, os cientistas que não pensam necessariamente em encontrar melhorias para a sociedade e sim em fazer fortunas e diversos outros personagens que se superam em seus clichês e outros que se mantêm como vilões, mas que são trazidos à quem assiste ao filme como vilões, como se fossem “lobos em peles de cordeiros”.

O filme é longo e talvez se fosse mais curto tivesse tido mais sucesso, há muitas reviravoltas para se encontrar o fechamento da narrativa e ter um final, talvez o final encontre a pior parte do filme, com toda aquela coisa de que as pessoas mesmo sofrendo muito encontraram a tranquilidade, pelo menos até aquele momento, onde as lágrimas escorrem e um novo por do sol maravilhoso surge depois de tanto sangue escorrendo das entranhas. Temos uma edição clássica que em muitos momentos é feita de modo paralela, onde várias estórias são contadas com pequenos cortes em cada estória, a fotografia não compromete em nada, é muito bem feita e a atuação é um dos pontos altos, mesmo mostrando pequenas fragilidades em alguns momentos, talvez porque os orientais demonstram os sentimentos de uma forma diferente, muitas vezes exageradas ou se a tendência sobre o cinema mais minimalista na atuação e menos teatral Shakespeariana, já está impregnando principalmente no atual cinema ocidental de uma forma geral, tem essa sensação de atuação um pouco exagerada.

Este é um filme para ser visto e ser discutido entre amigos com belos drinks à disposição e confabular novas teorias conspiratórias que giram pelo mundo a fora, se sua tendência é apenas para entreter com “cenas gore” e não perceber toda a crítica que há diretamente no filme, não perca seu tempo, Transformers está aí para te deixar mais feliz, isto é cinema com estética popular, mesmo com o tempo longo, mas com assunto para se desenvolver além dos 109 minutos do filme, uma experiência cinematográfica para além da pipoca e do refrigerante.

 

TRAILER:

OSTENTAÇÃO E VIOLÊNCIA.

Narco Cultura (Narco Cultura) – 2013.

Dirigido por: Shaul Schwarz.

Duração: 103 minutos.

 

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Não consegui assistir este filme quando ele passou no festival in-edit brasil de 2014, mas consegui uma cópia do filme, em mãos no conforto do lar com os ruídos da cidade de São Paulo adentrando a janela pude ver este documentário dirigido pelo diretor israelense Shaul Schwarz que também é um experiente fotógrafo de guerra. Se você quer se surpreender totalmente com as estórias do filme, leia o texto inteiro somente após assistir o filme.

Sem Título-1Narco Cultura é um documentário que segue duas linhas narrativas que se convergem, mesmo que alas estejam distantes. Uma das estórias é sobre a vida de um criminalista da polícia mexicana que atende várias ocorrências por dia de crimes de assassinato cometidos principalmente pelo cartel de narcotráfico do México e vive sobre constante perigo de morte; o outro personagem do filme é sobre um cantor de narco-corrido que vive nos Estados Unidos da América, o narco-corrido é uma música que parece um pouco com as músicas dos mariachis só que com letras que glorificam o poder dos narcotraficantes e suas violências.

O criminalista Rich Soto vive em uma cidade na fronteira com os EUA chamada Juarez que é a cidade com maior taxa de assassinatos do México, Rich Soto apesar de ver Sem Título-5diariamente diversos corpos mutilados leva uma vida aparentemente tranquila, pelo menos Soto mostra certa frieza diante das câmeras, talvez uma frieza que adquiriu ao se tornar policial ou também por se acostumar a ver tantos corpos de pessoas mortas, ao mesmo tempo ele parece não estar totalmente contente com a vida que leva, já que ele não pode sair de sua casa, é sempre do trabalho para casa e da casa para o trabalho, sua família que vive na cidade não gosta do seu trabalho, vários de seus colegas de trabalho já morreram em serviço, em retaliações à investigações feitas ao cartel mexicano, Soto quer o dinheiro para poder ter maior estabilidade em sua vida e poder ir morar com sua esposa e filhos que vivem do outro lado da fronteira.

Edgar Quintero é um cantor de narco-corrido, ele não é um narco-traficante ele apenas faz músicas sobre o narco-tráfico e também aceita encomendas de traficantes Sem Título-3para fazer músicas especialmente para eles, sempre glorificando os feitos dos traficantes, Quintero parece viver uma vida fora da realidade em alguns momentos, ele tem muito dinheiro, no EUA este tipo de música dá muito dinheiro, chega até a ter uma certa popularidade até entre os estadunidenses, principalmente os de origem latina, mas o narco-corrido foi proibido em rádios e na televisão, então ele fica apenas nas comunidades de estrangeiros e em alguns momentos em shows de narco-corridos que parecem grandes bailes de música country, mas em vez de falarem da vida no campo as letras são voltadas ao mundo dos narco-traficantes.

Em um momento a equipe do documentário acompanha Quintero, que vai até o México para poder conhecer melhor o país e saber mais sobre o que ele canta. Há imagens dignas de completa ostentação, há um cemitério onde os túmulos são verdadeiras mansões, onde apenas a pessoa e sua família podem ser enterradas, são túmulos que tem até vidros à prova-de-balas, é algo totalmente insano de se ver, os traficantes e poderosos dos Cartéis mexicanos ganham tanto dinheiro com a droga que não tem onde gastar, eles não podem investir esse dinheiro em “empresas oficiais” então muitas vezes eles fazem este tipo de excentricidade.Sem Título-4

Uma das coisas mais interessantes do documentário é como a equipe teve acesso à vida destas pessoas, tanto no México, junto de uma equipe especializada em ir até a cena do crime e descobrir o que aconteceu, não necessariamente encontrar os culpados, esta não é a função dos criminalistas e também como eles conseguiram filmar a intimidade de pessoas ligadas ao tráfico de drogas, além da coragem da equipe de estar em lugares extremamente violentos para contar estas estórias, vejo que os cantores de narco-corridos e os narco-traficantes adoram uma exposição também, eles querem que outras pessoas saibam que eles são a autoridade, não é o governo e sua polícia que comanda aquela área, e que se eles querem produzir e vender drogas, acabar com cartéis vizinhos com violência muito acima do que apenas alguns tiros, Sem Título-2eles vão e fazem, e há diversas imagens dignas de filmes no estilo “faces da morte”.

Falando da parte técnica do filme, não há algo muito diferente do que já se viu em outros documentários, são entrevistas com câmera parada entrevistando os personagens principais e também outras pessoas próximas ao assunto ou os personagens para corroborarem as estórias contadas, também há câmeras na mão/ombro acompanhando os personagens e a câmera realmente mostra pessoas despedaçadas e muito sangue, é um filme com imagens fortes de uma violência que ocorre no México contrastando com as festas de quem faz música glorificando a morte de outras pessoas. A estética do filme em geral é muito boa, nada novo, mas muito bem feito e tudo que ele propõe esteticamente dialoga com o assunto abordado.

O filme vale ser visto para poder conhecer Sem Título-6esta estória de violência que ocorre nos dias atuais no México, uma das partes interessantes do filme é a informação de que em Juarez foram assassinadas mais de 3 mil pessoas em 2010 e na cidade estadunidense somente 5 assassinatos e é lá em El Paso que os artistas de narco-corrido fazem fama e dinheiro, cantando com bazucas em suas costas e tudo isso não é tão divulgado pelo mundo, morre muito mais pessoas do que em algumas guerras que acontecem pelo mundo, e porque ela não é tão divulgada, principalmente no Brasil? Será que é muito longe e não afeta a nossa economia? Será que as grandes empresas e os governos tem algum interesse sobre a venda de drogas e a guerra entre cartéis? Cabe a cada pessoa responder estas e outras perguntas que podem surgir na reflexão de cada pessoa após assistir ao filme, enquanto uns detem o poder segundo as leis outros detem o poder pela violência e estes dois poderes em alguns momentos mantém o mesmo interesse. Um belo documentário para conhecer sobre o narco tráfico e o narco corrido, o que aqui é intitulado como narco cultura.

 

TRAILER:

REBELDIA FORA DOS GRAMADOS.

Rebeldes do Futebol (Les Rebelles du Foot) – 2012.
Dirigido por: Gilles Perez e Gilles Rof.
Duração: 92 minutos.

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Já que quase todas as conversas por mais distintas que sejam acabam terminando em futebol nestes tempos de efervescência pela copa do mundo e depois de achar e assistir este filme na internet, resolvi escrever sobre ele, porque não é um documentário sobre futebol e sim sobre jogadores que se destacaram principalmente por sua vida fora dos gramados jogando pelos seus times ou seleções.

“Rebeldes do Futebol” é um documentário apresentado por um ex-jogador francês Eric Cantona, que foi um jogador polêmico, principalmente por ter dado uma “voadora” num ????????????????????torcedor durante um jogo, mas sempre teve problemas com a autoridade dos técnicos e com sua aposentadoria precoce se envolveu com arte e cultura e assume sua posição política de esquerda. Cantona gosta de jogadores com atitude dentro e fora dos campos e o filme narra a história de cinco jogadores separadamente que atuaram além dos gramados.

A primeira história do filme é sobre um jogador contemporâneo que ainda está na ativa, Didier Drogba que jogou pela Costa do Marfim nesta copa de 2014 no Brasil, é através da drogba_simple_300seleção que ele agiu para ajudar a pacificar seu país, com seus gols e vitórias junto da seleção Marfinense que Drogba falou para o povo do país para largarem suas armas para poderem assistir ao jogo da seleção da Costa do Marfim contra Madagascar em um estádio que ficava até então em área que estava sobre o poder dos rebeldes, e graças a esta atitude de Drogba o país não está mais em guerra civil.

O chileno Carlos Caszely é o segundo jogador a ter sua história apresentada no filme, Caszely jogou pelo Colo-Colo e pela seleção Chilena e foi publicamente contra a ditadura de Pinochet e estando fora do país porque estava jogando no Levante, time da Espanha, ele teve sua mãe sequestrada e torturada pelo regime de Pinochet em represálias as suas declarações, mesmo com essa situação, em jogo da seleção chilena no país em Caszely_Levanteque Pinochet vai cumprimentar os jogadores, Caszely se recusa a dar a mão ao ditador e depois destes acontecimentos chegou a fazer campanhas televisivas para acabar com o governo de Pinochet, o que por fim aconteceu. Caszely ainda é vivo e conta as histórias pessoalmente.

Continuando temos a história de Rachid Mekholufi que era jogador do Saint-Etienne que fugiu com outros jogadores para a Argélia para jogar numa seleção da FLN (frente de libertação nacional), foi a partir dos jogos desta seleção, que mesmo após ter se tornado a seleção da Argélia ainda não era reconhecida pela fifa, a França começou a perceber que já não teria mais como continuar em guerra contra a Argélia que ela estaria se tornando um país livre. Mekholufi também está vivo e conta suas histórias pessoalmente memoria08-008_0no filme, é muito interessante ver como um jogador de estava se dando bem em outro país, foge escondido, como se fosse uma “persona non-grata” e conta os detalhes da fuga e o porquê dele estar fazendo isso para o seu país.

Ilijas Pasic foi jogador do Sarajevo FC e também jogou pela seleção da Iugoslávia, que hoje se desmembrou e se tornou outros países, mas a cidade onde viveu hoje faz parte da Bósnia e Herzegovina. Ainda na antiga Iugoslávia enquanto o país estava em conflitos resolve montar uma escola de futebol para crianças das várias etnias que faziam parte do país, como bósnios, servos e etc. Pasic convenceu os pais das crianças que elas, se fossem morrer que morressem fazendo aquilo que gostavam que fosse jogando futebol, o próprio Pasic conta que as crianças tinham que ilijamuitas vezes se esconderem no subsolo do ginásio onde jogavam, corriam por uma ponte para que não fossem atingidas por tiros e nenhuma das crianças da escolinha de futebol foi morta durante os conflitos no país.

E por último temos a história do jogador Sócrates que durante a ditadura militar foi um dos líderes do time do Corinthians no início dos anos 80, Sócrates era médico e jogador de futebol, ajudou a consolidar a democratização do futebol através da “Democracia Corintiana” que consistia em todos no clube tinham poder de votar nas decisões do time, não era apenas o presidente e a parte administrativa que tomava as decisões, mais também jogadores e funcionários do clube podiam tomar decisões e isso era além de uma revolução para os padrões de um clube de futebol, também era exemplo e uma forma de protesto contra a ditadura militar e poderia ser visto também como uma forma de gestão para empresas particulares onde apenas uma ou democum pequeno grupo de pessoas obtêm o lucro pelo trabalho de todos, Sócrates morreu em 2011 e viu a ditadura acabar, mas não a consolidação de um futebol e uma sociedade mais democrática, no sentido literal da palavra.

Esse é um documentário muito importante para quem gosta tanto de futebol como de revolucionários e política, porque é através destes exemplos, devem ter alguns com menores proporções por aí, mas com os exemplos deste filme podemos ver a importância de um jogador de futebol para o seu país, o que ele representa e como ele pode usar o seu “status de herói e até mesmo de celebridade” com podemos ver hoje em dia para construir uma sociedade melhor ou até mesmo para mudar radicalmente a sociedade onde vivem ou nasceram. Mostra o poder que os jogadores podem ter com suas palavras e atitudes, infelizmente, assim como na 6a01310f90b709970c0192aa43a997970dsociedade em geral são poucas pessoas que dão “a cara a tapa” para conseguirem mudar a sociedade e fazerem um lugar melhor não apenas para sua família, seus amigos ou pessoas que concordam com eles e sim para toda uma sociedade.

A parte técnica do filme não compromete, não há nada de especial e inovador, como também não tem problemas técnicos. Mas gosto do jeito que é apresentado em um teatro, já que o futebol também é um espetáculo que pode mudar o mundo, pode ser até interpretado como arte. “Os Rebeldes do Futebol” é um filme extremamente inspirador que poderia ser visto por mais aspirantes a jogadores de futebol e jogadores profissionais que são engolidos por seus empresários e “rios de dinheiro”.

 

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